Seminário discute tecnologia e gargalos produtivos na pecuária piauiense
Evento debateu desafios e oportunidades para pecuária leiteira e de corte no Piauí
Foto: Pixabay
No último dia 11 de maio, a Embrapa Meio-Norte sediou o seminário “Pecuária piauiense: atualidade, oportunidades e desafios”, onde foram apresentados os primeiros dados do projeto sobre bovinocultura leiteira e produção de carnes caprina e ovina no estado. O evento foi realizado no âmbito do projeto PiauiPec, que estuda essas cadeias produtivas a fim de subsidiar futuras políticas públicas. O projeto, que conta com a parceria da Embrapa Caprinos e Ovinos e da Embrapa Gado de Leite, é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi).
A programação do seminário constou de assinatura de acordos de cooperação técnica com instituições parceiras para viabilizar as atividades do projeto até o final de 2027, além de palestras com apresentação de dados estatísticos sobre o panorama da produção de leite bovino e carne de caprinos e ovinos.
O pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Samuel Oliveira, apresentou os números de produção do leite no Brasil, no Nordeste e no Piauí, fazendo um comparativo da participação do estado neste mercado. “O Piauí tem uma produção pequena e insipiente. Tem o desafio de superar a baixa produtividade, em função da baixa adoção de tecnologias”, acredita. De acordo com os dados apresentados por Oliveira, o leite captado por laticínios tem aumentado ao longo dos últimos dez anos no Brasil, no Nordeste e o Piauí acompanhou esse crescimento. “O grande desafio da cadeia produtiva é reduzir custos e ter mais competitividades”, afirma.
"O estado do Piauí tem muito potencial na produção leiteira. É um estado ainda que não participa de uma maneira expressiva na produção regional e nacional, mas tem alguns predicados muito interessantes, como regiões onde tem uma produção emergente, grupo de produtores organizados que começam a se dedicar à atividade trazendo ali o conhecimento de outras atividades nas quais eles são bem competitivos. Enfim, toda uma riqueza que pode sinalizar que, havendo tecnologia, política pública, gestão e vontade para o crescimento, pode haver um futuro para maior produção do leite aqui”, conclui o pesquisador.
As informações sobre a caprinocultura e a ovinocultura no Piauí, foram apresentados pelo pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, Espedito Martins. Ele também apresentou dados do IBGE, mostrou a crescente curva de produção e aspectos como a hiper concentração na região semiárida do estado, o perfil de produção dos municípios, entre outras informações relevantes para os participantes do seminário. Martins acredita que políticas públicas uniformes não serão efetivas para a superação dos desafios do setor produtivo, são necessários tratamentos diferenciados para os diversos perfis existentes.
O presidente da Fapepi, Francisco Xavier, destacou a importância do evento, que contou com a presença de secretários do governo do estado, cientistas e representantes de laticínios e produtores de caprinos e ovinos. “Estamos muito satisfeitos, a Embrapa sempre é um grande parceiro e temos muita coisa a mais a fazer aqui também”.
O chefe-geral da Embrapa Meio-Norte, Anísio Lima Neto, afirma que o evento ajudou a fortalecer a relação entre os parceiros externos e a Embrapa. “Temos uma história de trabalhos de pesquisa voltados para o desenvolvimento dessas duas cadeias. A Embrapa sempre esteve junto aos governos, junto às organizações de produtores, junto a toda a sociedade para promover, com tecnologia e com ciência, o desenvolvimento das cadeias produtivas da nossa região Meio-Norte”.
A avaliação do pesquisador da Embrapa Meio-Norte e líder do projeto PiauiPec, Sérgio Vilela, sobre o seminário também é positiva. "Estamos buscando identificar os principais problemas que impedem o avanço do desenvolvimento dessas duas cadeias produtivas e apresentar, ao final, ao governo do estado, um conjunto de sugestões para elaboração de políticas públicas para superar essas deficiências, esses gargalos que estão impedindo o avanço do desenvolvimento dessas atividades. Então, o seminário foi muito bom, foram apresentados os primeiros dados, que são os dados estatísticos da realidade atual dessas atividades no Piauí, e agora a gente vai avançar para outras áreas de pesquisa para, até o final de 2027, ter os resultados totais do projeto”, conclui.