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Sequência de massas de ar frio pode atingir o Brasil por várias semanas; entenda

Frente fria deve manter temperaturas baixas em várias regiões brasileiras até junho


Foto: Pixabay

“O inverno está chegando”: temperaturas entre média e abaixo da média deverão predominar no centro-sul até junho.

A semana começou gelada de Sul a Norte no Brasil, no primeiro episódio de “friagem” do ano. O termo “friagem” é tradicionalmente definido como uma onda de frio que atinge o sul da Amazônia derrubando as temperaturas. Mais recentemente o termo vem sendo flexibilizado para incluir o avanço de massas de ar frio e queda diária brusca da temperatura máxima no Centro-Oeste.

O amanhecer desta segunda-feira (11) foi de apenas 15,4°C em Rio Branco (AC) e por volta dos 10°C em diversas cidades do Mato Grosso. No Mato Grosso do Sul e em São Paulo, temperaturas abaixo de 5°C foram registradas, enquanto menores as mínimas foram abaixo de zero entre o norte do Rio Grande do Sul e o Paraná, com -2°C em General Carneiro (PR).

Para os amantes do inverno, uma notícia boa: o frio pode permanecer no país até, pelo menos, o início de junho, favorecido pelo principal modo de variabilidade extratropical do Hemisfério Sul, a Oscilação Antártica (AAO). Confira os detalhes.

Climatologicamente, maio é o último mês do outono. Com ele, é natural que a circulação atmosférica se assemelhe mais com os padrões do inverno e que as primeiras incursões de ar frio comecem a adentrar no continente.

De acordo com a correção de anomalias semanais de temperatura do modelo ECMWF, de confiança da Meteored, as próximas semanas serão de temperaturas entre a média e abaixo da média no centro-sul do país, o que pode ser entendido como frio persistente, com base na climatologia do período.

Com base nos mapas acima entende-se que o frio começa a perder força gradualmente a partir da próxima semana, em comparação com a semana atual. Mesmo assim, a semana entre 18 e 25 de maio deverá ser de temperaturas até 3°C abaixo da média entre o Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Norte do país.

Na virada do mês, entre 18 de maio e 8 de junho, as previsões de temperaturas deverão ficar próximas da média climatológica. Ainda assim, considerando a aproximação do inverno (junho), esse padrão favorece a sensação de frio em grande parte do país.

Isso pode ser observado nos mapas abaixo, que mostram a temperatura média climatológica (1991-2020) para maio e junho. Nota-se um avanço das temperaturas mais amenas em direção ao Brasil Central, especialmente sobre o Centro-Oeste e o Sudeste, onde predominam valores entre 20°C e 22°C. No Sul, as médias ficam ainda mais baixas, variando entre 12°C e 18°C.

É importante destacar que a temperatura média representa um valor obtido a partir da combinação das temperaturas registradas ao longo dos dias de cada mês. Na prática, isso significa que as temperaturas mínimas durante episódios de frio podem ficar bem abaixo desses valores, especialmente durante as madrugadas, enquanto as máximas também podem variar para cima ou para baixo conforme a atuação de massas de ar frio, períodos de maior nebulosidade ou dias mais quentes ao longo do mês.

Além disso, as variações semanais do modelo ECMWF são atualizadas diariamente, enquanto os dados observados são assimilados, então podem sofrer variações nos próximos dias.

A Oscilação Antártica (AAO), também conhecida como Modo Anular Sul, é o principal modo de variabilidade extratropical do Hemisfério Sul. Em termos simples, ela representa mudanças na posição e intensidade dos ventos que circulam ao redor da Antártica, influenciando diretamente o avanço dos sistemas frios em direção à América do Sul.

Nos últimos meses, a AAO apresentou predominantemente em fase positiva, condição que costuma manter os ciclones mais restritos à Antártica e dificultar o avanço de frentes frias sobre o Brasil. Esse padrão ajudou a favorecer períodos mais secos e quentes na parte centro-sul do país durante o início do outono.

Agora, porém, os modelos indicam uma mudança para a fase negativa da AAO ao longo das próximas semanas. Nessa configuração, os ventos de oeste ao redor da Antártica tendem a enfraquecer e se deslocar para norte, permitindo que cavados, ciclones extratropicais e massas de ar frio avancem com maior facilidade pelo interior da América do Sul.

O padrão atmosférico prevê uma sequência de incursões de frio até o início de junho, ainda que nem todas sejam tão intensas. Em muitos casos, o efeito deve aparecer na forma de temperaturas persistentemente amenas, maior frequência de madrugadas frias e episódios de queda acentuada da temperatura, especialmente no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e até em áreas da Amazônia.

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