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Sequência de talhões reduz perdas na colheita de cana

Colheita eficiente começa na ordem dos talhões


Foto: Canva

Definir qual talhão de cana-de-açúcar será colhido primeiro envolve muito mais do que observar o estágio de maturação da planta. A programação precisa combinar condições do campo, distância até a usina, disponibilidade de máquinas e caminhões, previsão de chuva e capacidade de moagem da indústria. O objetivo é garantir um fluxo regular de matéria-prima, evitando tanto a falta de cana quanto a formação de estoques excessivos antes da moagem.

Esse planejamento começa antes da safra. A equipe técnica precisa mapear os talhões considerando variedade, idade, histórico produtivo, tipo de solo, ambiente de produção, época provável de maturação e produtividade esperada. A partir desse levantamento, é construído um cronograma geral para os meses da safra, que depois é detalhado em períodos semanais e diários.

A maturação está entre os critérios mais importantes. O material aponta que, em condições ideais, o corte deve priorizar a chamada maturidade tecnológica, estágio em que o ATR está maximizado e estável. ATR significa açúcares totais recuperáveis e é uma referência para a quantidade de açúcar que pode ser aproveitada industrialmente.

O acompanhamento pode envolver análises laboratoriais do caldo, amostragem no campo e modelos de previsão de maturação. No escalonamento da safra, variedades precoces tendem a entrar primeiro, seguidas pelas de ciclo médio e pelas tardias. Áreas com cana acima da idade ideal, risco de acamamento ou florescimento também podem ser antecipadas para reduzir possíveis perdas.

Logística entra na decisão

A distância entre a lavoura e a unidade industrial também interfere diretamente na sequência de corte. Talhões mais distantes aumentam o tempo de transporte, o consumo de combustível e a quantidade de caminhões necessária para fornecer determinado volume de cana por hora. Por isso, a distância média das áreas colhidas em cada período precisa ser compatível com a frota disponível. Uma alternativa apresentada no material é combinar áreas próximas e distantes, distribuindo melhor a demanda por transporte e reduzindo gargalos na carga e na descarga.

Outra possibilidade é organizar as áreas em bolsões logísticos, reunindo talhões relativamente próximos para que uma mesma frente de colheita permaneça alguns dias em uma região. Talhões cuja maturação permita maior flexibilidade também podem funcionar como reserva quando uma área prioritária apresentar alguma restrição operacional.

Solo e chuva exigem alternativas

O planejamento também precisa prever como as condições do solo e do acesso podem mudar durante a safra. Solos argilosos e com maior risco de encharcamento exigem atenção especial em períodos chuvosos, porque a colheita mecanizada é sensível à umidade. Áreas arenosas ou com melhor drenagem podem ser mantidas como opções para períodos de chuva, funcionando como talhões de segurança para preservar uma quantidade mínima de corte. Condições de relevo, estradas internas, acessos e bueiros também precisam entrar na programação.

Ao longo do ano, a estratégia ainda deve considerar a sazonalidade do clima, incluindo períodos de maior chuva, meses mais frios e secos, veranicos e risco de geadas. Nos meses mais chuvosos, a orientação apresentada no material é priorizar áreas com melhor drenagem e acesso. Em períodos secos, amplia-se o conjunto de talhões que pode entrar na sequência.

Campo e indústria precisam operar no mesmo ritmo

Outro ponto central é compatibilizar o volume que as colhedoras conseguem retirar do campo com a quantidade que a indústria consegue processar. A soma da capacidade das frentes de colheita deve acompanhar a meta de moagem da usina. Quando esse equilíbrio não ocorre, podem surgir dois extremos. No primeiro, falta cana para alimentar a indústria e a moagem precisa ser interrompida. No segundo, a colheita entrega mais matéria-prima do que a usina consegue processar, formando estoque de cana cortada.

Segundo o material, a permanência excessiva da cana picada antes da moagem provoca perda de qualidade e pode resultar em aumento de açúcares redutores, fermentação e maior dificuldade de extração.
O planejamento inadequado também pode elevar custos com combustível, horas extras e desgaste de equipamentos. No campo, a entrada de máquinas em solos inadequados durante períodos chuvosos aumenta os riscos de compactação, formação de trilhas e erosão.

Planejamento passa por três níveis

O material divide a organização da safra em três etapas principais. A primeira é o planejamento anual, no qual são levantados os dados dos talhões, estimadas produtividade e ATR, classificados os ciclos de maturação e distribuído o volume de colheita ao longo dos meses.

A segunda etapa é o planejamento mensal e semanal. Nela são estabelecidas metas de hectares e toneladas para cada frente, escolhidos os talhões prioritários e separadas alternativas para situações de contingência. Mapas, sistemas de informação geográfica e softwares de planejamento agrícola podem apoiar esse processo.

A terceira etapa é a programação diária. É nesse momento que a ordem efetiva das áreas é ajustada às condições reais, como previsão de chuva, disponibilidade de colhedoras, tratores e caminhões, quebra de máquinas ou problemas nas estradas. O objetivo é aproximar o volume cortado e transportado da meta diária de moagem.

Monitoramento permite corrigir a rota

Mesmo um planejamento detalhado precisa ser revisto ao longo da safra. Entre os indicadores apontados para acompanhamento estão volume diário colhido e moído, ATR médio da cana entregue, tempo de viagem dos caminhões, produtividade real em comparação com a prevista, ocorrência de chuvas e condições do solo. Com esses dados, a programação deve ser revisada semanalmente e, se necessário, diariamente. Alterações na ordem dos talhões, antecipando ou postergando determinadas áreas, podem ajudar a recuperar o equilíbrio entre o fornecimento do campo e a capacidade da indústria.

O planejamento da colheita também está ligado a decisões tomadas antes do corte. Escolha de variedades, época de plantio, adubação, manejo de pragas e doenças e renovação do canavial interferem na produtividade e no período de maturação. A distribuição de variedades precoces, médias e tardias entre diferentes ambientes de produção deve ser considerada desde o plantio para permitir o escalonamento futuro da colheita.

 

 

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