Sistema alerta para o risco de brusone no trigo
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Imagem: Flávio Martins Santana
PARCERIA

Sistema alerta para o risco de brusone no trigo

Tecnologia desenvolvida no Brasil simula os riscos de incidência da doença
Por: -Eliza Maliszewski

Uma parceria liderada pelo Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (CIMMYT), junto com a Embrapa e a Universidade de Passo Fundo (UPF/RS), desenvolveu um sistema que faz o alerta precoce para a incidência de brusone no trigo, uma das principais doenças da cultura.

O chamado Early Warning System (EWS), ou Sistema de Alerta Precoce em livre tradução, é uma plataforma que simula os riscos com base na coleta de dados meteorológicos. A doença tem ligação direta com as condições climáticas, especialmente durante o período de espigamento do trigo. A ocorrência de chuvas frequentes, temperaturas acima de 22ºC, tempo de molhamento da planta acima de 10 horas, dias nublados e alta umidade relativa no ar formam as condições ideais para a proliferação do fungo.

O EWS é capaz de analisar dados coletados por estações meteorológicas e prever quando essas condições poderão ocorrer nas regiões com lavouras de trigo. O sistema cruza essas informações com a fase de desenvolvimento em que as plantas se encontram e, em caso de risco, envia um alerta aos produtores para que executem ações de prevenção.

Como não existe cura, o controle da brusone deve ser preventivo, com a aplicação de fungicidas antes de o fungo se instalar na planta. Em média, o fungicida protege a planta da doença entre 12 e 14 dias. Assim, para fazer um controle mais assertivo, é preciso verificar as previsões climáticas, avaliando o melhor momento e a real necessidade de fazer a aplicação do defensivo. A plataforma  auxilia exatamente nessa tomada de decisão. No site do EWS, o usuário escolhe o país, o estado e a estação meteorológica mais próxima para avaliar no mapa os riscos em baixo, moderado e alto.  

O pesquisador da Embrapa Trigo José Maurício Fernandes explica que a doença é considerada uma ameaça global, pois não há variedades que apresentem resistência ao fungo. “Não há germoplasma resistente na maioria dos genótipos-elite de trigo em nível mundial e os tratamentos com fungicidas são ineficazes quando a intensidade da doença é alta”, explica o cientista.

No Brasil, o EWS ainda está sendo abastecido com dados, considerando a diversidade de ambientes de cultivo de trigo no País. “Estamos trabalhando em uma interface mais responsiva, capaz de rodar o site em diferentes dispositivos e com maior abrangência”, conta o pesquisador da UPF Willington Pavan. Segundo ele, a interatividade com os usuários cadastrados também está sendo testada, com o envio de alertas, em fase experimental, para smartphones e e-mails.

Parceiro do projeto em Bangladesh, o pesquisador Tim Krupnik, representante nacional do CIMMYT, conta que no país asiático o EWS já está funcionando desde 2019, com o envio de mensagens de texto e e-mails para a rede de extensão rural que atua com trigo. 

Por enquanto, o EWS está restrito para os estados produtores de trigo no Brasil e em Bagladesh, mas no futuro deverão estar contempladas todas as regiões tritícolas do mundo. 

Outro avanço previsto é ampliar a base de dados do EWS para a giberela, outra importante doença de espiga com epidemias frequentes em diferentes cultivos de trigo na América do Sul e na Ásia.

A brusone é uma das principais doenças de impacto econômico no trigo. O agente causal é o fungo Magnaporthe oryzae que, quando ataca a ráquis da espiga, resulta em grãos deformados e com baixo peso específico, o que implica redução no rendimento das culturas. O fungo causador se dispersa por meio do vento e pode atacar mais de 50 epécies de gramíneas, além de sobreviver em restos de culturas, sementes e plantas voluntárias.

A doença foi registrada pela primeira vez no Brasil na década de 1980, em eventuais epidemias em áreas tropicais, mas em pouco tempo se espalhou pela América do Sul causando epidemias na Bolívia, no Paraguai e na Argentina. A chegada da doença a Bangladesh, em 2016, no sul da Ásia, e na Zambia, na África Meridional, na safra 2017/2018, acendeu o alerta para a ameaça global que a brusone representa. 
 


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