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Sociedade Real pede testes mais rigorosos com transgênicos


da Agência Lusa

Um grupo de cientistas britânicos recomendou hoje que o Reino Unido e a União Européia apliquem normas mais rigorosas no controle e segurança de alimentos geneticamente modificados destinados ao consumo por seres humanos.

Num relatório publicado pela Sociedade Real, os cientistas destacam que a legislação deve dar especial atenção ao risco potencial de estes alimentos poderem causar alergias, alertando também para a qualidade nutricional dos produtos para bebês.

"Não há razões para duvidar da segurança dos alimentos elaborados com os produtos geneticamente modificados que se comercializam atualmente", afirma contudo o relatório.

Ainda assim, o texto recomenda "um método mais explícito e objetivo" para comparar os produtos geneticamente modificados com os tradicionais e que seja comum aos países da União Européia (UE).

Atualmente, para determinar se um produto é seguro utiliza-se um método denominado "equivalência substancial", em que se compara um produto manipulado geneticamente com outro produzido pelos mecanismos tradicionais.

"Examinamos toda a investigação disponível e não encontramos nada que sugira que o processo de manipulação genética converta os alimentos em intrinsecamente perigosos", explicou Jim Smith, que dirigiu o grupo de cientistas.

Smith manifestou o seu "apoio total ao direito do público de saber que todos os novos alimentos, quer contenham ingredientes geneticamente modificados ou não, foram submetidos a rigorosos testes de segurança e nutrição".

No entanto, o relatório adverte para o potencial risco de reações alérgicas a estes novos alimentos bem como para um possível impacto negativo no seu nível nutricional, advertindo que os bebês são especialmente vulneráveis a alterações no conteúdo nutritivo da sua alimentação.

É por essa razão que o documento insiste na necessidade de o Reino Unido e a UE realizarem testes rigorosos para assegurarem que os produtos geneticamente modificados não apresentam qualquer perigo.

Smith opinou, contudo, que a lei não deve ser tão restritiva ao ponto de eliminar incentivos para a produção destes novos alimentos, "potencialmente benéficos para a sociedade".

A área cultivada com plantas geneticamente modificadas aumentou 20% em 2001, uma tendência que se manterá em 2002, apesar da resistência dos consumidores de algumas zonas do globo, como a Europa.

Os agricultores plantaram cerca de 52 milhões de hectares de plantas geneticamente modificadas (em 2001, mais 8 milhões que no ano anterior, de acordo com um relatório divulgado em Janeiro pelo International Service for the Acquisition of Agri-Biotech Applications (ISAAA).

Para 2002, o relatório do ISAAA prevê um crescimento de 10% na superfície cultivada com plantas geneticamente modificadas.

Os EUA são claramente o país que lidera o processo (35 milhões de hectares de plantações transgênicas em 2001), mas existem mais 12 onde já se cultivam alimentos modificados: Argentina (11,7 milhões), Canadá (3,2 milhões), China, Bulgária, Austrália, África do Sul, Romênia, França, Espanha, Uruguai, México e Ucrânia.

Fonte: Folha On Line

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