Soja: oferta global limita reação de preços
Soja tem semana de atenção ao clima nos EUA
Foto: United Soybean Board
Segundo a análise “Direto do Campo”, da Grainsights produzida pela Grão Direto nesta segunda-feira (22), o mercado de soja acompanha o avanço do plantio nos Estados Unidos e as previsões climáticas favoráveis no Meio-Oeste americano, fatores que reduzem no curto prazo o chamado prêmio de risco climático. Conforme o relatório, a sustentação das cotações tende a vir de forma mais limitada, com o óleo de soja assumindo papel de suporte marginal.
A análise destaca ainda que a geopolítica segue como principal elemento de volatilidade no mercado, interferindo nos fundamentos agrícolas. No sábado, o Exército do Irã afirmou ter fechado novamente o Estreito de Ormuz, alegando descumprimento de acordos por parte dos Estados Unidos. Apesar disso, houve registro de passagem de navios comerciais no mesmo dia. O presidente norte-americano Donald Trump declarou que pode retomar ações militares contra Teerã caso o bloqueio continue. Esse cenário de incerteza no Oriente Médio, segundo o relatório, sustenta o complexo de energia e biocombustíveis e limita quedas mais acentuadas na soja.
No campo da oferta global, o documento aponta que a colheita robusta na América do Sul funciona como fator de contenção para uma recuperação mais consistente dos preços em Chicago. O volume produzido na região mantém forte competitividade frente ao produto norte-americano e reduz o ritmo de escoamento da safra dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, prêmios de exportação nos portos brasileiros permanecem pressionados, em meio aos desafios logísticos associados à chegada da safrinha de milho aos armazéns.
Para os próximos dias, o foco do mercado segue voltado para as condições das lavouras norte-americanas, que entram em fase importante de desenvolvimento vegetativo. Relatórios de acompanhamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e o comportamento da demanda chinesa, que segundo a análise tem atuado de forma irregular no mercado americano, devem influenciar a formação de preços em Chicago.
O relatório também aponta o câmbio como fator central para o mercado físico. A variação do dólar frente ao real continua determinando oportunidades de comercialização, com produtores atentos a momentos de valorização da moeda para realizar fixações e preservar margens diante da perspectiva de uma safra volumosa nos Estados Unidos.