Soja alto-oleico amplia valor e aplicações
Na soja convencional, o teor fica em torno de 20% a 23%
Na soja convencional, o teor fica em torno de 20% a 23% - Foto: Canva
A soja com alto teor de ácido oleico avança como alternativa de maior estabilidade, valor nutricional e potencial industrial. Segundo Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo e membro do Conselho Científico Agro Sustentável, essa variedade pode superar 70% a 75% de ácido oleico, índice próximo ao encontrado no azeite de oliva.
Na soja convencional, o teor fica em torno de 20% a 23%. A elevação reduz a presença de ácidos graxos mais suscetíveis à oxidação, o que diminui aromas e sabores indesejáveis e melhora o desempenho do óleo em frituras. O perfil também reduz a necessidade de hidrogenação parcial, processo associado à formação de gorduras trans.
A característica é obtida pela combinação de mutações em dois genes, permitindo o desenvolvimento por transgenia, edição gênica ou melhoramento convencional. Nos Estados Unidos, já existem cultivares comerciais, inclusive não transgênicas, e a área plantada chegou a cerca de 700 mil hectares em 2025.
Além da alimentação, o óleo alto-oleico pode ser usado em biodiesel, lubrificantes, fluidos industriais, cosméticos e produtos farmacêuticos. No Brasil, o avanço ainda depende de cultivares comerciais com mais de 70% de ácido oleico e de cadeias segregadas desde a colheita até o processamento.
“O crescimento do segmento de alimentos funcionais, a pressão regulatória sobre gorduras trans, a busca das indústrias alimentícia e dos demais setores por óleos estáveis para fritura, sem necessidade de hidrogenação, e a demanda crescente por insumos de base biológica em aplicações industriais e energéticas, posicionam a soja alto-oleico como um nicho de agregação de valor com potencial crescente, tanto nos mercados de exportação quanto no consumo doméstico brasileiro. Projetando-se o longo prazo, além da década de 2040, é possível que a soja HSOB seja dominante no mercado, pelas vantagens que apresenta”, conclui.