Soja fecha em alta após relatório do USDA
China reduz compras e estoques entram no radar
Foto: Canva
A cotação da soja reagiu após a divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e encerrou esta quinta-feira (13) em alta na Bolsa de Chicago. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o contrato para o primeiro mês cotado fechou a US$ 11,68 por bushel, ante US$ 11,57 uma semana antes. Na primeira parte da semana, a soja havia recuado para US$ 11,47 por bushel em 11 de agosto. A recuperação ocorreu a partir do dia 12, após a publicação dos novos números do USDA, mesmo com projeções consideradas baixistas para o mercado.
De acordo com a CEEMA, o relatório do USDA elevou novamente a estimativa para a colheita de soja dos Estados Unidos, de 121,8 milhões para 123 milhões de toneladas. A projeção indica que o clima quente e seco registrado em julho não teria provocado perdas na safra norte-americana. Os estoques finais dos EUA para o ano comercial 2026/27 também foram elevados, chegando a uma estimativa de 8,7 milhões de toneladas. No cenário global, a produção de soja foi projetada em 442,2 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais mundiais devem alcançar 124,2 milhões de toneladas.
A demanda chinesa por importações foi mantida em 115 milhões de toneladas. Já as produções brasileira e argentina permaneceram estimadas em 186 milhões e 50 milhões de toneladas, respectivamente. Com esse cenário, o preço médio projetado aos produtores norte-americanos foi mantido em US$ 11,40 por bushel para o novo ano comercial, segundo dados divulgados pela CEEMA.
Apesar do aumento da estimativa de produção, as condições das lavouras norte-americanas apresentaram piora. Segundo dados divulgados pela CEEMA, em 9 de agosto, 62% das áreas estavam classificadas entre boas e excelentes, contra 68% no mesmo período do ano passado.
Por outro lado, a formação de vagens alcançava 74% da área semeada, acima da média histórica de 69%. O resultado mostra que o desenvolvimento das lavouras está mais adiantado nesta temporada, mesmo com a avaliação inferior das condições gerais.
As exportações norte-americanas de soja somaram 399 mil toneladas na semana encerrada em 6 de agosto. Com isso, o acumulado do atual ano comercial chegou a 39,8 milhões de toneladas, volume 18% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, de acordo com a CEEMA. O desempenho das exportações mantém a atenção do mercado sobre o ritmo de demanda pela soja dos Estados Unidos.
Do lado da demanda, a China importou 11,48 milhões de toneladas de soja em julho, queda de 1,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Alfândega Chinesa citados pela CEEMA. A redução das compras está relacionada à expectativa de menor demanda por ração, diante da diminuição do rebanho de matrizes suínas.
Entre janeiro e julho, as importações chinesas chegaram a 61,05 milhões de toneladas, aumento de apenas 0,7% sobre o mesmo período do ano anterior. A demanda pode ganhar força com a retomada das compras chinesas de soja dos Estados Unidos. No primeiro semestre, porém, a China adquiriu apenas 9,31 milhões de toneladas do país norte-americano.
A redução do consumo de ração também tem provocado acúmulo de estoques de farelo de soja na China. Nesse contexto, a estatal chinesa Sinograin teria vendido 516 mil toneladas de soja importada em um terceiro leilão realizado nas últimas semanas. A operação buscaria liberar espaço nos estoques para a entrada de soja dos Estados Unidos, que vem sendo adquirida em função dos acordos comerciais entre os dois países. Segundo dados divulgados pela CEEMA, os chineses informaram que a soja leiloada era proveniente das safras de 2022 a 2024.