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Soja recua no Brasil mesmo com alta externa

Brasil amplia exportações de soja e farelo


Foto: USDA

Os preços da soja no Brasil seguem descolados das cotações internacionais negociadas em Chicago, movimento influenciado principalmente pelo câmbio e pela safra recorde em andamento no país. A análise consta no relatório da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente ao período de 8 a 14 de maio e divulgada nesta quinta-feira (14).

Segundo o levantamento, o retorno momentâneo do dólar ao patamar de R$ 5,00 influenciou o mercado interno, embora o movimento tenha sido breve. No Rio Grande do Sul, as principais praças registraram preços entre R$ 113,00 e R$ 114,00 por saca. No restante do país, as cotações variaram de R$ 100,00 a R$ 114,00.

De acordo com a Ceema, “o descolamento, para baixo, dos preços nacionais em relação a Chicago continua, com o saco de soja evoluindo especialmente ao sabor do câmbio”. O relatório destaca que, em maio do ano passado, o dólar estava cotado a R$ 5,68, enquanto no mesmo período de 2026 o valor ficou em R$ 4,89, o que representa valorização de 13,9% do real em 12 meses.

A combinação entre a valorização da moeda brasileira e a safra recorde ajuda a explicar a diferença entre os preços internos e externos. O país deve colher entre 178 e 181 milhões de toneladas de soja, compensando as perdas registradas no Rio Grande do Sul com maior produção em outras regiões. Segundo a análise, “aos valores de hoje em Chicago, se o câmbio fosse o mesmo de um ano atrás, o saco do produto, no Rio Grande do Sul, estaria ao redor de R$ 130,00. Ou seja, 18 reais a mais”.

O relatório também aponta dificuldades no mercado de sementes de soja. A dívida do setor teria saltado de R$ 60 bilhões antes da pandemia para R$ 180 bilhões atualmente. Conforme a análise, “o mercado terá que proteger os clientes que ainda conseguem permanecer no mercado, enquanto a disputa pelos melhores compradores ficará ainda mais intensa”.

A expectativa é de menor disponibilidade de sementes na atual safra, além de possíveis problemas de qualidade em algumas regiões produtoras. Ainda assim, o excedente de produto tende a ser menor que o observado na temporada passada, o que pode aliviar parte da pressão sobre o setor. A Ceema ressalta que “será um ano difícil na parte comercial e com muita atenção na avaliação de risco dos clientes”.

No comércio exterior, o Brasil exportou 16,8 milhões de toneladas de soja em abril, recorde da série histórica da Secex. O volume representa crescimento de 15,4% em relação a março e de 9,6% frente ao mesmo mês de 2025. Os embarques para a China avançaram 17,6% no período.

Entre janeiro e abril, as exportações brasileiras somaram 40,2 milhões de toneladas, também o maior volume já registrado para o período. Para maio, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta embarques de 16 milhões de toneladas de soja. Já as exportações de farelo devem alcançar recorde de 2,88 milhões de toneladas no mês, acima das 2,12 milhões registradas em maio do ano passado.

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