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Soja sobe no Brasil com prêmios elevados

Soja brasileira ganha espaço nas compras da China


Foto: Pixabay

O mercado brasileiro da soja ganhou ritmo na última semana, impulsionado pela manutenção dos prêmios de exportação em torno de US$ 1,50 por bushel e pela valorização dos preços pagos ao produtor. Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente ao período de 17 a 23 de julho e publicada nesta quinta-feira (24), os preços de balcão avançaram nas principais regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, as principais praças passaram a negociar a saca a R$ 125,00, enquanto nas demais regiões do país os valores oscilaram entre R$ 116,00 e R$ 127,00.

A análise da Ceema também chama a atenção para um cenário de longo prazo apresentado durante o Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (Sober), realizado nesta semana em Porto Alegre. Pesquisadores chineses informaram que a China projeta reduzir em 25% sua dependência da soja importada até 2030 e em 50% até 2050. Conforme destaca a Ceema, essa tendência vem sendo acompanhada há algum tempo e, caso se concretize, poderá provocar uma mudança significativa na produção mundial de soja, com reflexos importantes para o Brasil e seus produtores.

Dados da Alfândega da China reforçam as mudanças no comércio internacional da oleaginosa. Conforme reproduzido pela Ceema, as importações chinesas de soja dos Estados Unidos caíram 20,6% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025. Apesar de acordos recentes entre os dois países preverem compras anuais de 25 milhões de toneladas até 2028, a efetivação desse compromisso ainda depende do cenário comercial, especialmente diante das novas medidas tarifárias anunciadas por Donald Trump. Em junho, a China importou 1,27 milhão de toneladas de soja norte-americana, enquanto as compras do Brasil cresceram 13,7%, passando de 10,62 milhões para 12,08 milhões de toneladas. O volume total desembarcado no mês atingiu 13,55 milhões de toneladas, o maior já registrado para junho, favorecido pelo aumento da oferta brasileira e pela liberação de cargas represadas nos portos. No acumulado de janeiro a junho, as importações chinesas de soja dos Estados Unidos recuaram 42,4%, para 9,31 milhões de toneladas, enquanto os embarques brasileiros avançaram 9,1%, alcançando 34,75 milhões de toneladas. Ainda assim, segundo a Ceema, o total das importações chinesas de soja caiu 21% em junho, mesmo com o crescimento das aquisições do produto brasileiro.

Apesar de a soja norte-americana apresentar preços superiores aos da brasileira, a China continua adquirindo volumes dos Estados Unidos. Conforme destaca a Ceema, essas compras são vistas pelo mercado como de caráter estratégico. “As compras são classificadas como "políticas" pelo mercado, apesar dos preços mais elevados. A China já comprou 427 navios até agora, concentrados nos embarques setembro - 15 barcos - e outubro - 27 embarcações. Do Brasil, foram adquiridos 47 navios e cinco entre Argentina, Uruguai e Canadá” (cf. Marex). A análise acrescenta que, no curto prazo, a soja brasileira deverá permanecer mais competitiva, sustentando as exportações nacionais. A expectativa é de que o Brasil embarque 113 milhões de toneladas em 2026, sendo 86 milhões destinadas ao mercado chinês, evidenciando a forte dependência do país em relação a esse destino e os possíveis impactos caso a China reduza suas importações nos próximos anos.

Diante desse cenário, a Ceema observa que os preços internos atingiram os melhores níveis dos últimos meses e recomenda atenção dos produtores ao momento de comercialização. A entidade avalia que a oportunidade pode ser aproveitada para novas médias de venda, especialmente porque a colheita norte-americana começa em outubro e, caso não ocorram perdas na safra dos Estados Unidos, a tendência será de pressão baixista sobre as cotações internacionais. Segundo a Brandalizze Consulting, citada pela Ceema, os preços da soja no porto de Rio Grande já superaram R$ 150,00 por saca, chegando a R$ 160,00 no dia 22 de julho para entrega em novembro de 2026 e pagamento em maio de 2027.

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