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Solo bem estruturado favorece raízes e longevidade do canavial

A passagem frequente de máquinas pesadas pelo canavial pode deixar consequências


Foto: Divulgação

A passagem frequente de máquinas pesadas pelo canavial pode deixar consequências que se tornam mais evidentes com o avanço dos cortes. A compactação do solo reduz os espaços responsáveis pela circulação de ar e água, dificulta o crescimento das raízes e pode aumentar a sensibilidade da cana-de-açúcar a períodos de falta de chuva.

O problema ganha importância no final do ciclo, durante a maturação dos colmos. Nessa fase, a cultura depende de um sistema radicular ativo e capaz de explorar diferentes profundidades do solo para acessar água e nutrientes e sustentar o acúmulo de sacarose.

Quando existe uma camada compactada, as raízes encontram maior resistência para crescer. Em situações mais intensas, podem ficar concentradas nas camadas superficiais. Com isso, parte da água armazenada em profundidade deixa de ser acessível à planta.

O resultado pode aparecer com maior intensidade durante veranicos. O material relaciona essas condições à redução do diâmetro e do comprimento dos colmos, estande irregular, falhas de soqueira e menor produtividade.

A compactação corresponde ao aumento da densidade do solo pela redução do espaço entre suas partículas. Entre os poros afetados estão os macroporos, espaços maiores que desempenham papel importante na aeração e na drenagem.

A mecanização intensiva é um dos fatores associados ao problema. Preparo, plantio, adubação, tratos culturais, colheita e transporte provocam sucessivas passagens de máquinas pela área. Nas regiões produtoras citadas no material, como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, operações com colhedoras, veículos de transbordo e outros equipamentos aumentam o risco principalmente nas áreas de circulação.

Não é apenas o número de passagens que importa. A carga das máquinas e, principalmente, a condição de umidade do solo no momento do tráfego interferem na intensidade da compactação.

Quando o terreno está muito úmido, apresenta maior possibilidade de deformação sob pressão. Por esse motivo, o conteúdo recomenda evitar operações pesadas imediatamente após chuvas intensas e considerar as condições do solo antes de colocar os equipamentos no campo.

Não é apresentada uma faixa única de umidade que possa servir como referência para todas as propriedades. Entre as ferramentas simples mencionadas para avaliação em campo estão o teste do torrão e a observação da plasticidade do solo.

O diagnóstico também pode utilizar instrumentos e avaliações mais específicas. Penetrômetros ajudam a medir a resistência do solo à penetração, enquanto análises de densidade fornecem outras informações sobre a condição física da área.

A abertura de trincheiras permite observar diretamente o desenvolvimento das raízes e identificar camadas adensadas. Em alguns casos, essas camadas são conhecidas como "pé de grade" ou "pé de arado" e podem ocorrer em profundidades intermediárias.

Localizar a compactação antes de intervir é fundamental porque a profundidade do problema interfere na escolha e na regulagem dos equipamentos usados para corrigi-lo.

Uma das principais estratégias preventivas apresentadas no material é o tráfego controlado. A proposta é concentrar a passagem de máquinas em faixas permanentes, preservando outras partes do terreno para o crescimento das raízes. Para isso, o planejamento deve considerar a bitola dos equipamentos, o espaçamento utilizado no plantio e as rotas percorridas pelos veículos de transbordo. A circulação aleatória nas entrelinhas deve ser evitada.

Os próprios equipamentos também precisam ser avaliados. Pneus mais largos e, quando possível, operando com menor pressão ajudam a distribuir a carga. O controle do peso transportado é outro ponto destacado, pois a carga por eixo está relacionada ao risco de compactação em maior profundidade. Também é recomendada a regulagem da velocidade para evitar patinagem excessiva durante as operações.

Outro componente do manejo está na superfície do solo. A manutenção da palhada da cana colhida ajuda a conservar matéria orgânica e favorece a atividade biológica e a estabilidade dos agregados do solo. Na reforma do canavial, culturas de cobertura também podem fazer parte dessa estratégia. Espécies com sistemas radiculares capazes de explorar camadas mais profundas auxiliam na chamada biodescompactação.

Nesse processo, as raízes avançam pelo perfil e deixam canais após a decomposição, além de fornecerem matéria orgânica. A escolha das plantas deve considerar as condições climáticas da região, a disponibilidade de sementes, a janela de plantio e a compatibilidade com o sistema de produção.

Quando a compactação já está estabelecida, principalmente abaixo da superfície, intervenções mecânicas podem ser avaliadas durante a reforma. Subsoladores e escarificadores são citados como opções para romper camadas adensadas. A operação, no entanto, precisa ser baseada no diagnóstico da área.

A profundidade das hastes deve ser ajustada à camada identificada como compactada. A condição de umidade também interfere no resultado. Segundo o material, o solo não deve estar nem excessivamente seco nem muito úmido, de maneira que o equipamento consiga promover o fraturamento da camada em vez de apenas cortá-la.

Realizar a operação mecânica sem alterar a forma de circulação das máquinas pode levar à recompactação. Por isso, a descompactação precisa estar integrada ao planejamento do plantio e do tráfego. A condição química do solo é outro elemento considerado. Calagem e gessagem são apresentadas como práticas capazes de favorecer indiretamente o desenvolvimento das raízes quando corretamente indicadas com base em análises do perfil.

A melhoria do ambiente químico em profundidade pode estimular o crescimento radicular. Raízes mais profundas aumentam o volume de solo explorado e contribuem para a formação de canais. O manejo físico também precisa estar associado à fertilidade. Segundo o material, solos com estrutura adequada permitem maior exploração pelas raízes e melhor aproveitamento da adubação.

Em áreas irrigadas, o manejo da estrutura também interfere na utilização da água. Camadas compactadas podem favorecer problemas de encharcamento e limitar a eficiência do sistema radicular. A escolha da cultivar pode influenciar a resposta da cultura. Materiais com maior vigor radicular podem apresentar melhor aproveitamento de solos parcialmente compactados, mas o conteúdo ressalta que essa característica não substitui o manejo adequado da condição física do terreno.

Práticas de conservação, incluindo manutenção da palhada, terraços e plantio em nível, também aparecem de forma integrada ao manejo. Além da conservação, essas práticas contribuem para evitar processos que agravam problemas físicos, como erosão e selamento superficial. Os efeitos da compactação podem ser cumulativos. Sem planejamento de tráfego e manejo da estrutura do solo, a perda de desempenho pode ficar mais evidente nos cortes finais, período em que se espera aproveitar a longevidade do canavial.

Soqueiras submetidas a condições físicas desfavoráveis podem apresentar menor capacidade de rebrota, aumentando a possibilidade de reforma antecipada e afetando o custo por tonelada produzida.Por isso, o material recomenda acompanhar anualmente as condições físicas do solo e o desempenho das soqueiras, dando atenção aos talhões que apresentem queda acentuada de produtividade que possa estar relacionada a problemas físicos.

A prevenção reúne diferentes decisões tomadas ao longo do ciclo. Definir faixas permanentes para máquinas, evitar tráfego pesado em condições inadequadas de umidade, controlar cargas, preservar a cobertura do solo e diagnosticar camadas compactadas antes de realizar intervenções estão entre as principais orientações. Quando medidas corretivas forem necessárias, o planejamento deve considerar as características específicas de cada área. O material reforça que não existe uma receita única para profundidade ou intensidade de descompactação.

As operações também devem seguir as normas de segurança do trabalho e a legislação aplicável. Operadores precisam utilizar equipamentos de proteção individual adequados e a regulagem dos implementos deve ser realizada por pessoas capacitadas.

Na prática, reduzir os efeitos da compactação no final do ciclo exige começar o trabalho antes que o problema se torne evidente na lavoura. O acompanhamento da estrutura do solo, combinado ao planejamento do tráfego e às práticas de conservação, ajuda a preservar um maior volume de solo para exploração pelas raízes e a reduzir a pressão da mecanização sobre a longevidade do canavial.

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