Solo vivo impulsiona rendimento e reduz custos
O avanço foi sustentado por uma nova visão sobre o solo
O avanço foi sustentado por uma nova visão sobre o solo - Foto: Pixabay
A agricultura regenerativa ganha espaço como alternativa capaz de combinar produtividade, redução de custos e recuperação ambiental. Segundo Jacques Dieu, especialista em Agricultura Regenerativa, a experiência de um dos maiores grupos produtores de açúcar orgânico do mundo mostra que esse modelo pode superar o sistema convencional.
A mudança começou com o abandono das queimadas e dos fertilizantes sintéticos. No lugar dessas práticas, o grupo adotou técnicas voltadas à recomposição do solo, com a devolução anual de 20 toneladas de matéria orgânica por hectare. A estratégia resultou em produtividade 20% superior à registrada no manejo convencional, contrariando a ideia de que sistemas sustentáveis limitam o rendimento das lavouras.
O avanço foi sustentado por uma nova visão sobre o solo, tratado como um ecossistema vivo e não apenas como base física para o cultivo. Máquinas adaptadas foram utilizadas para reduzir a compactação, enquanto o manejo passou a priorizar a saúde microbiológica e a recuperação dos processos naturais da área.
Com essa combinação, o grupo também alcançou autossuficiência energética e restaurou a biodiversidade em suas propriedades. O resultado reforça que a regeneração pode funcionar não apenas como decisão ambiental, mas como estratégia de eficiência operacional e financeira.
A experiência indica que o aumento do potencial produtivo pode estar ligado à capacidade de recuperar, medir e ampliar a saúde do solo. Ao substituir a dependência de soluções exclusivamente químicas por um manejo apoiado na atividade biológica, o sistema mostrou que é possível elevar a produção e reduzir custos. No agronegócio, a competitividade tende a favorecer produtores capazes de transformar a qualidade do solo em ganho de escala, estabilidade e desempenho.