Sorgo ganha espaço com avanço do etanol
A tolerância à seca é um dos principais diferenciais
A tolerância à seca é um dos principais diferenciais - Foto: Pixabay
O sorgo ganha espaço no campo brasileiro ao combinar resistência à seca, custos menores e demanda crescente da pecuária e da indústria de etanol. A avaliação é de Drew Crawford, sócio-diretor da Austral Continental, ao destacar que o país acaba de colher 7,62 milhões de toneladas do cereal, ainda pouco presente na alimentação humana no mercado doméstico.
Quinto cereal do mundo, atrás de trigo, arroz, milho e cevada, o sorgo alimenta mais de 500 milhões de pessoas na África e na Ásia. No Brasil, porém, o destino principal está na ração animal e na produção de combustível. A cultura entra após a colheita da soja, na janela da safrinha, quando o risco climático pode limitar o plantio de milho.
A tolerância à seca é um dos principais diferenciais. A Embrapa calcula que o sorgo precisa de 330 quilos de água para formar um quilo de matéria seca, ante 370 quilos no milho. As raízes também são mais profundas e apresentam o dobro da massa de raízes secundárias. Segundo Flávio Tardin, da Embrapa, o custo fica entre 15% e 25% abaixo do milho, com rendimento quase equivalente em etanol e DDGS.
O grão tem perto de 70% de amido e, entre 2022 e 2026, valeu em média 82,3% do preço do milho, conforme a Conab. Estudo da Corteva registrou 429,5 litros de etanol por tonelada de sorgo, contra 424,5 litros no milho, além de cerca de 300 quilos de DDG por tonelada processada.
A expansão do etanol reforçou a demanda. Em março de 2026, a Inpasa iniciou a usina de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, projetada para processar 1 milhão de toneladas anuais de milho e sorgo. A Conab aponta alta de 24,9% na produção em uma safra. Em Goiás, a colheita chega a 2,2 milhões de toneladas em 631,1 mil hectares, área 59,9% maior em um ano.