Subsídio a fósseis pressiona biocombustíveis
O destaque, porém, ficou com o câmbio
O destaque, porém, ficou com o câmbio - Foto: Divulgação
O mercado de açúcar teve uma semana marcada por avanço moderado em Nova York, valorização do dólar frente ao real e novas incertezas sobre a competitividade dos biocombustíveis no Brasil. A análise é de Arnaldo Correa, especialista em gestão de risco em commodities agrícolas.
O contrato julho/26 encerrou a sexta-feira cotado a 14,78 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 9 pontos em relação à semana anterior. Os demais vencimentos também fecharam no campo positivo, com ganhos entre 7 e 40 pontos.
O destaque, porém, ficou com o câmbio. O dólar avançou 3,5% frente ao real e chegou a ser negociado a R$ 5,10 durante a sexta-feira, em meio ao aumento da percepção de risco político. No cenário interno, a análise aponta preocupação com a condução fiscal e com a falta de alternativas políticas capazes de reduzir a instabilidade observada pelos investidores.
No setor sucroenergético, o principal ponto de atenção foi a medida provisória que autorizou subvenção econômica a produtores e importadores de gasolina e diesel. O texto avalia que o mecanismo pode funcionar, na prática, como uma desoneração dos combustíveis fósseis, reduzindo a competitividade do etanol hidratado e do biodiesel. Para o setor, a preocupação é que o diferencial competitivo dos biocombustíveis seja comprimido em um momento em que o sinal de preço favorável ao etanol seria relevante.
No mercado internacional, a Índia também trouxe impacto ao alterar o status das exportações de açúcar de “restrito” para “proibido” até 30 de setembro de 2026. A medida mantém exceções para cotas e embarques já em andamento, mas limita novos negócios no curto prazo.