Super El Niño: veja por que o Pacífico preocupa o Brasil
Super El Niño pode superar recordes e afetar o clima
Foto: Pixabay
O cenário de um Super El Niño ganhou força na atualização de agosto do ECMWF, segundo dados divulgados pelo Meteored. Praticamente todos os membros do conjunto de previsões do modelo projetam anomalias superiores a 3°C na região do Niño-3.4 entre outubro e dezembro de 2026, após o Pacífico Equatorial registrar aquecimento acima do previsto ao longo do ano.
Desde o início de 2026, a temperatura da superfície do mar (TSM) no Pacífico Equatorial vem subindo em ritmo superior ao indicado pelas primeiras projeções do ECMWF. A cada atualização, o modelo elevou a intensidade esperada do fenômeno.
Na rodada iniciada em 1º de agosto, praticamente todos os membros do ensemble passaram a prever um pico acima de 3°C. Segundo dados divulgados pelo Meteored, o resultado reforça o cenário de um El Niño de intensidade excepcional.
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Os modelos climáticos atualizam mensalmente suas projeções à medida que novas observações da atmosfera e do oceano são incorporadas às simulações. No caso do ECMWF, a atualização de agosto aumentou a confiança em um evento de forte intensidade.
Cada linha vermelha da previsão representa um membro do ensemble, formado por dezenas de simulações com pequenas variações nas condições iniciais. A técnica permite avaliar tanto o cenário mais provável quanto o grau de incerteza da projeção.
Na análise apresentada pelo Meteored, uma linha preta contínua em 3°C facilita a identificação do limiar. Praticamente todos os membros do ensemble ultrapassam esse nível durante o pico previsto para o fenômeno.
A linha preta pontilhada em 3,3°C mostra que pelo menos metade das simulações projeta o pico acima desse valor. Já a linha azul pontilhada representa a evolução observada das anomalias até julho, quando a região Niño-3.4 atingiu 1,5°C.
Na comparação com a rodada de julho, a atualização de agosto indica maior confiança do ECMWF em um Super El Niño. Segundo dados divulgados pelo Meteored, enquanto anteriormente apenas parte dos membros previa anomalias superiores a 3°C, agora praticamente todas as simulações apontam para esse cenário.
Se confirmado, o evento superaria o El Niño de 2015-2016, cujo pico chegou a cerca de 2,8°C e permanece como o atual recorde. O resultado, portanto, dependerá da evolução das temperaturas do Pacífico nos próximos meses.
O aquecimento acelerado do Pacífico Equatorial ao longo de 2026 ajuda a explicar as sucessivas revisões das previsões do ECMWF. O modelo passou de um cenário inicialmente mais moderado para projeções de intensidade cada vez maior.
Em janeiro, a anomalia relativa da TSM na região Niño-3.4 estava em aproximadamente -0,8°C. Naquele momento, o ECMWF previa uma elevação gradual durante o primeiro semestre, com praticamente todos os membros do ensemble indicando anomalias inferiores a 1°C em julho.
A evolução observada, porém, tomou outro caminho. A partir de março, o aquecimento do Pacífico acelerou e a linha que representa as condições observadas ultrapassou rapidamente grande parte das simulações iniciais, chegando a cerca de 1,5°C em julho.
A diferença também aparece na rodada iniciada em 1º de abril. Embora o ECMWF tenha elevado suas projeções, a evolução observada continuou próxima do limite superior do ensemble e, posteriormente, superou praticamente todas as simulações daquela rodada.
Com isso, o modelo passou por revisões sucessivas até chegar à atualização de agosto, que concentra quase todas as simulações acima de 3°C durante o período previsto para o pico do evento.
Apesar da confiança crescente em um Super El Niño, ainda há incerteza sobre a intensidade máxima do aquecimento no Pacífico. Segundo dados divulgados pelo Meteored, uma anomalia maior da TSM não significa necessariamente impactos proporcionais sobre o tempo e o clima.
Eventos intensos de El Niño, no entanto, costumam alterar de maneira significativa os padrões de circulação atmosférica. Por isso, a evolução do fenômeno passa a exigir atenção nos próximos meses.
Os primeiros sinais já aparecem durante o desenvolvimento do El Niño, mas a primavera e o verão devem concentrar a maior atenção. É nesse período que o fenômeno costuma exercer sua maior influência sobre o clima da América do Sul.