Desde o início de 2026, a temperatura da superfície do mar (TSM) no Pacífico Equatorial vem subindo em ritmo superior ao indicado pelas primeiras projeções do ECMWF. A cada atualização, o modelo elevou a intensidade esperada do fenômeno.
Na rodada iniciada em 1º de agosto, praticamente todos os membros do ensemble passaram a prever um pico acima de 3°C. Segundo dados divulgados pelo Meteored, o resultado reforça o cenário de um El Niño de intensidade excepcional.
Veja mais informações sobre o clima em Agrotempo
Os modelos climáticos atualizam mensalmente suas projeções à medida que novas observações da atmosfera e do oceano são incorporadas às simulações. No caso do ECMWF, a atualização de agosto aumentou a confiança em um evento de forte intensidade.
Cada linha vermelha da previsão representa um membro do ensemble, formado por dezenas de simulações com pequenas variações nas condições iniciais. A técnica permite avaliar tanto o cenário mais provável quanto o grau de incerteza da projeção.
Na análise apresentada pelo Meteored, uma linha preta contínua em 3°C facilita a identificação do limiar. Praticamente todos os membros do ensemble ultrapassam esse nível durante o pico previsto para o fenômeno.
A linha preta pontilhada em 3,3°C mostra que pelo menos metade das simulações projeta o pico acima desse valor. Já a linha azul pontilhada representa a evolução observada das anomalias até julho, quando a região Niño-3.4 atingiu 1,5°C.
Na comparação com a rodada de julho, a atualização de agosto indica maior confiança do ECMWF em um Super El Niño. Segundo dados divulgados pelo Meteored, enquanto anteriormente apenas parte dos membros previa anomalias superiores a 3°C, agora praticamente todas as simulações apontam para esse cenário.
Se confirmado, o evento superaria o El Niño de 2015-2016, cujo pico chegou a cerca de 2,8°C e permanece como o atual recorde. O resultado, portanto, dependerá da evolução das temperaturas do Pacífico nos próximos meses.
O aquecimento acelerado do Pacífico Equatorial ao longo de 2026 ajuda a explicar as sucessivas revisões das previsões do ECMWF. O modelo passou de um cenário inicialmente mais moderado para projeções de intensidade cada vez maior.
Em janeiro, a anomalia relativa da TSM na região Niño-3.4 estava em aproximadamente -0,8°C. Naquele momento, o ECMWF previa uma elevação gradual durante o primeiro semestre, com praticamente todos os membros do ensemble indicando anomalias inferiores a 1°C em julho.
A evolução observada, porém, tomou outro caminho. A partir de março, o aquecimento do Pacífico acelerou e a linha que representa as condições observadas ultrapassou rapidamente grande parte das simulações iniciais, chegando a cerca de 1,5°C em julho.
A diferença também aparece na rodada iniciada em 1º de abril. Embora o ECMWF tenha elevado suas projeções, a evolução observada continuou próxima do limite superior do ensemble e, posteriormente, superou praticamente todas as simulações daquela rodada.
Com isso, o modelo passou por revisões sucessivas até chegar à atualização de agosto, que concentra quase todas as simulações acima de 3°C durante o período previsto para o pico do evento.
Apesar da confiança crescente em um Super El Niño, ainda há incerteza sobre a intensidade máxima do aquecimento no Pacífico. Segundo dados divulgados pelo Meteored, uma anomalia maior da TSM não significa necessariamente impactos proporcionais sobre o tempo e o clima.
Eventos intensos de El Niño, no entanto, costumam alterar de maneira significativa os padrões de circulação atmosférica. Por isso, a evolução do fenômeno passa a exigir atenção nos próximos meses.
Os primeiros sinais já aparecem durante o desenvolvimento do El Niño, mas a primavera e o verão devem concentrar a maior atenção. É nesse período que o fenômeno costuma exercer sua maior influência sobre o clima da América do Sul.