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Técnico agrícola atua além do plantio

Curso no Colégio Agrícola de Umuarama/PR atrai até estudantes de outros estados; aulas práticas são diferencial importante ao procurar emprego


Mais de 5 mil profissionais de todo o país estão em festa hoje, Dia Nacional do Técnico Agrícola. A profissão surgiu com a primeira escola para técnicos agrícolas do país, a Escola de Viamão, no RS, mas só foi regulamentada em 1968, através da Lei 5.524. Na região cresce cada vez mais a procura pelo curso, oferecido há quatro anos pelo Colégio Agrícola de Umuarama.

Diversas funções podem ser desempenhadas pelo profissional e engana-se quem pensa que o técnico agrícola está apto a trabalhar apenas com o plantio. “O técnico agrícola pode trabalhar no suporte aos produtores rurais, animais e vegetais, em usinas, empresas de produtos agropecuários, pesquisas científicas, agricultura familiar, enfim, o campo é muito amplo. Como o curso oferece disciplinas de áreas específicas os estudantes conseguem ingressar no mercado de trabalho assim que se formam”, explica a coordenadora do curso de Técnico Agrícola, Rosana Vasconcelos Vito. Mas o período de estudos não pára por aí. “Pelo curso ser de formação em nível médio a maioria dos formandos busca uma graduação na área, seja em agronomia ou medicina veterinária, por exemplo”.

A procura pelo curso é grande e o Colégio Agrícola de Umuarama recebe alunos da região é até de outros Estados, como Mato Grosso do Sul, e de todas as classes sociais. A prioridade do curso são os alunos filhos de agricultores, mas outros pré-requisitos são observados. “A prioridade é dos alunos que vem da 8ª série, estudaram em escola pública e são filhos de produtores rurais. Hoje o produtor sai do campo e vem para a cidade e nós enfatizamos que eles voltem para lá”, afirma Rosana.

Segundo a coordenadora cada vez mais as mulheres buscam o curso, cujas aulas são ministradas em período integral. “Do ano passado para cá a procura aumentou significativamente e acredito que no próximo ano haverá ainda mais mulheres”, conta.

“Acho que as mulheres buscam mais a profissão porque hoje o trabalho agrícola não requer tanta força, mas técnica”, opina o técnico agrícola e agrônomo Antonio Luiz Calderan, que escolheu a profissão por ser filho de agricultor.

Para o técnico agrícola Pedro Luiz Padilha, também filho de produtor rural, os profissionais da área estão sendo mais valorizados. “Ainda há restrições por parte de muitas empresas, mas a profissão está cada vez mais valorizada. Antes eram feitas piadinhas com o homem do campo, que era considerado colono e chamado de ‘Jeca Tatu’, hoje os técnicos tem de trabalhar como empresa e estão presentes em órgãos públicos e empresas privadas”, enfatiza ele, parabenizando a todos os profissionais pela data.

“Aqui, todo mundo tem que trabalhar”

O curso de técnico agrícola tem duração de três anos e as aulas acontecem pela manhã e á tarde. Vários órgãos e empresas, públicas e privadas, mantêm parceria com o Colégio e durante os três anos os estudantes fazem estágio. “As parcerias colaboram muito com o desenvolvimento e aprendizado dos estudantes, pois eles têm a oportunidade de fazer estágios e participar de projetos fora da escola também”, acredita Rosana.
As aulas práticas e estágio exigem que o estudante coloque, literalmente, a mão na terra, e nessa hora, segundo os estudantes, não tem para onde correr. “Aqui todo mundo tem que trabalhar, não importa se é homem ou mulher”, conta a estudante Rafaela Caroline Nunes. “Muita gente vem estudar aqui empurrada e depois acaba desistindo. A gente percebe que aqui só continua quem gosta mesmo”, completa o estudante Kennedi Danilo da Silva.

Rafaela, Kennedi e o colega Wellington Silva Mendonça são exemplos de quem escolheu o curso por interesse próprio. Já o aluno André Luiz Santos, filho de produtor rural, disse que também escolheu o curso porque gosta, mas não pretende trabalhar na propriedade do pai. “Trabalhar com família não dá certo. Quando sair daqui eu já tenho emprego garantido em uma usina em Tapejara”, garante André.

Os quatro estudantes pretendem cursar uma faculdade ao se formarem no curso de técnico agrícola e contam que a prática os coloca a um passo a frente. “Aqui nós aprendemos tudo na prática, aí saímos na frente”, afirma Wellington. “Além de nós sairmos daqui já sabendo a prática, fica mais fácil entrar em uma faculdade”, completa Rafaela.

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