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Tecnologia no campo também reduz preços de alimentos, aponta Elisio Contini

A tecnologia gera ganhos diretos para os produtores rurais


Foto: Divulgação

De acordo com artigo de Elisio Contini, ex-pesquisador da Embrapa em economia agrícola e consultor internacional, a tecnologia é uma das quatro forças que revolucionaram o desempenho da agricultura e do agronegócio brasileiros, ao lado da disponibilidade de recursos naturais, do apoio governamental e da atuação de produtores e empresários.

Dr Contini diz que, o Brasil reuniu condições favoráveis para o salto produtivo do setor: um imenso território com terra agricultável, água e clima propícios; governos que sustentaram políticas de crédito, apoio ao abastecimento e infraestrutura mínima para escoamento da produção e suprimento de insumos; e o desenvolvimento de novas tecnologias, inicialmente por instituições públicas e, mais recentemente, por empresas privadas — movimento que teve papel central na incorporação das terras marginais dos cerrados. O artigo destaca ainda a coragem e o trabalho de agricultores e empresários que migraram de suas regiões de origem rumo ao Centro-Oeste como fator decisivo nesse processo.

Neste trabalho, no entanto, Elisio Contini concentra sua análise especificamente na força motriz da tecnologia. Conforme o artigo, a aplicação de tecnologias mais eficientes na produção tende a elevar a produtividade, reduzir custos, melhorar a qualidade dos produtos e facilitar a adaptação ao mercado. Em contrapartida, essas vantagens exigem investimentos, melhor qualificação da mão de obra e aprimoramentos na gestão. O artigo define tecnologia, no contexto agrícola, como o conjunto de inovações materiais, organizacionais e digitais empregadas na produção agropecuária, com o objetivo de elevar eficiência, competitividade e sustentabilidade.

Existem quatro dimensões tecnológicas em uso no campo. A primeira é a biológica, que envolve inoculantes, bioinsumos e materiais genéticos melhorados, com impacto direto sobre produtividade e sustentabilidade. A segunda é a mecânica, que compreende tratores, colheitadeiras e implementos responsáveis por ganhos de eficiência operacional. A terceira reúne automação e sensoriamento, com GPS, sensores, mapas e drones, piloto automático, estações meteorológicas e sensores de solo e de plantas. A quarta dimensão é digital, e abrange softwares, aplicativos, internet das coisas (IoT) e análise de dados voltados ao monitoramento e à tomada de decisão.

Ainda segundo o artigo, uma propriedade rural ou região pode ser caracterizada, do ponto de vista tecnológico, por três aspectos: o nível de adoção, a função econômica e o impacto técnico-ambiental das tecnologias empregadas. O autor explica que, de forma agregada, as tecnologias podem ser classificadas como poupadoras de terra, de trabalho ou de insumos, ou ainda como responsáveis pela incorporação de terras marginais ao processo produtivo — caso emblemático dos cerrados —, além de serem avaliadas conforme sua contribuição para o aumento do rendimento.

Segundo Contini, a tecnologia gera ganhos diretos para os produtores rurais e, ao mesmo tempo, melhora as condições de abastecimento para os consumidores. Para o produtor, ela aumenta a produtividade, reduz custos e apoia a tomada de decisão; para o consumidor, resulta em maior disponibilidade de alimentos, com mais qualidade, variedade e oferta, a preços razoáveis.

Entre as principais vantagens da adoção de tecnologias mais eficientes para os produtores rurais, o artigo de Elisio Contini cita o aumento da produtividade, viabilizado pelo uso mais preciso de água, fertilizantes e outros insumos; a redução de custos operacionais, obtida por meio de automação, máquinas mais eficientes e menos desperdício; a melhoria na gestão da lavoura, com sensores, drones e softwares que ajudam a monitorar pragas, clima e desempenho da produção; decisões mais rápidas e seguras, apoiadas em dados em tempo real sobre o campo; e a contribuição para a sustentabilidade, com a diminuição do uso excessivo de recursos naturais e do impacto ambiental.

Já para os consumidores, de acordo com o artigo, os principais benefícios são a garantia de alimentos com mais qualidade e regularidade na oferta, resultado de uma produção mais controlada; o aumento da rastreabilidade, que permite acompanhar melhor a origem dos produtos; a possibilidade de redução de preços no médio prazo, à medida que a produção mais eficiente tende a diminuir perdas e custos; a diminuição do desperdício de alimentos, especialmente com tecnologias de armazenamento e conservação; e o avanço de práticas mais sustentáveis, ponto que interessa a consumidores atentos ao impacto ambiental.

Sobre os agentes responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico no setor, o artigo de Elisio Contini aponta a Embrapa, as instituições estaduais de pesquisa agropecuária, as universidades, os ecossistemas de inovação ligados a startups e hubs, os Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs) e, mais recentemente, as empresas privadas. Segundo o autor, a Embrapa pode ser considerada o eixo central da pesquisa agropecuária pública no país, atuando também como articuladora do sistema nacional de inovação agrícola por meio de seus centros de pesquisa. No âmbito estadual, o artigo cita as instituições de pesquisa e extensão, a exemplo das Empresas de Pesquisa e Assistência Técnica e Extensão Rural e de outras entidades reconhecidas pelo governo como ICTs relevantes para a inovação agropecuária. Universidades e ICTs também participam desse processo, conforme o artigo, pela geração de conhecimento, formação de pessoal e cooperação em projetos de inovação agropecuária.

O artigo de Elisio Contini observa ainda que startups e agtechs vêm ganhando espaço no desenvolvimento de soluções digitais e tecnológicas para o campo, especialmente em parceria com hubs e ambientes de inovação, que funcionam como pontos de conexão entre produtores, startups, pesquisadores, investidores e empresas, acelerando a adoção de novas tecnologias. O autor lembra, por fim, que a legislação de propriedade intelectual do início dos anos 2000 abriu espaço para o avanço das empresas privadas ligadas à inovação, hoje atuantes no desenvolvimento de variedades, insumos agropecuários e diversas inovações voltadas ao campo e ao agronegócio como um todo.

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