Tecnologia nutricional por trás dos recordes de produção de ovos
Evolução da nutrição de precisão permite formular dietas ajustadas às necessidades
Foto: Pixabay
O Brasil caminha para o 29º ano consecutivo de expansão na produção de ovos, impulsionado pelo crescimento estrutural do consumo interno. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção deverá totalizar 64,8 bilhões de unidades, em 2026, aumento de 4,1% comparado a 2025. A entidade também projeta incremento no consumo per capita, de 288 para 301 ovos por habitante, uma alta de 4,5%. Por trás desses resultados, estão tecnologias nutricionais inovadoras para a avicultura de postura. “A nutrição tem papel fundamental para que o crescimento da produção de ovos aconteça de forma mais sustentável e com qualidade”, avalia a médica-veterinária Luciana Ferreira Campos, gerente de produtos para varejo da Guabi Nutrição e Saúde Animal.
Segundo ela, “a evolução da nutrição de precisão tem permitido formular dietas cada vez mais ajustadas às necessidades das aves”. A especialista destaca que uma alimentação equilibrada contribui não apenas para a quantidade de ovos produzidos, mas também para características importantes, como qualidade da casca, peso e uniformidade dos ovos, persistência de postura e condição corporal das aves.
Entre os principais avanços da nutrição para avicultura de postura, Luciana aponta: o equilíbrio adequado de aminoácidos, vitaminas e minerais; o uso de enzimas para melhorar a digestibilidade e o aproveitamento dos nutrientes; e as tecnologias voltadas à saúde e ao equilíbrio da microbiota intestinal. Nesse contexto, destaca-se também o uso de minerais orgânicos, presentes nas linhas de produtos da Guabi ProNatural e Do Sítio, que apresentam alta biodisponibilidade e favorecem um melhor aproveitamento pelo organismo das aves e menor excreção, o que reflete tanto na saúde e bem-estar das aves, como também no ambiente. “Zinco, ferro, manganês, cobre e selênio exercem funções importantes relacionadas à qualidade da casca, integridade dos tecidos, resposta antioxidante e desempenho das poedeiras”, cita a especialista.
De acordo com a gerente, a combinação dessas tecnologias contribui para o aproveitamento máximo da dieta, equilíbrio da microbiota intestinal, melhores índices zootécnicos e maior eficiência nutricional. “Além disso, o melhor aproveitamento dos nutrientes pode contribuir para a redução da excreção de determinados minerais e, consequentemente, para uma menor contaminação ambiental, aspecto cada vez mais relevante para uma produção sustentável”, ressalta.
Nutrientes para cada fase
As necessidades nutricionais das poedeiras mudam ao longo de cada fase. No período inicial, proteínas, aminoácidos, vitaminas e minerais são fundamentais para garantir crescimento e desenvolvimento adequados. Durante a recria, a nutrição deve favorecer a formação da estrutura corporal e preparar a ave para atingir a maturidade e iniciar a postura em boas condições. Já na fase de produção, o equilíbrio entre energia, proteínas e aminoácidos é essencial para sustentar a postura e a qualidade dos ovos.
“Minerais como cálcio e fósforo, além de vitamina D e microminerais, ganham ainda mais importância por sua participação na formação e manutenção da qualidade da casca”, enfatiza Luciana. Ela explica que a qualidade da casca é resultado da interação entre nutrição, idade da ave, genética, ambiente, sanidade e manejo, mas temperaturas elevadas, por exemplo, podem reduzir o consumo de alimento e prejudicar a formação da casca. “Uma dieta corretamente balanceada, associada ao fornecimento adequado de água e a boas práticas de manejo, ajuda a reduzir a ocorrência de ovos quebrados ou com cascas frágeis e melhora a qualidade do produto que chega ao consumidor”, detalha.
Além do fornecimento adequado de nutrientes, os avanços em nutrigenômica têm ampliado a compreensão sobre a relação entre nutrição e expressão gênica. “Hoje sabemos que determinados nutrientes e compostos bioativos podem influenciar a forma como os genes são expressos, impactando processos relacionados ao metabolismo, à saúde, à resposta ao estresse e ao aproveitamento dos nutrientes”, comenta a gerente da Guabi, salientando que isso reforça a importância de uma nutrição cada vez mais precisa e adequada a cada fase da vida da poedeira. “Mais do que atender às exigências básicas, a alimentação pode contribuir para que a ave expresse melhor seu potencial genético, mantendo saúde, longevidade e regularidade produtiva ao longo do ciclo. Esse é um dos conceitos que aplicamos nas formulações das nossas linhas Do Sítio e Pro Natural, em que os consumidores encontram diferentes produtos para as diferentes necessidades das aves ao longo do ciclo.”
Cuidados com o manejo
Nutrição e manejo precisam caminhar juntos. “Água limpa e de boa qualidade, conforto térmico, higiene das instalações, densidade adequada, programa de iluminação, controle sanitário, vacinação e prevenção de doenças são fatores fundamentais”, indica Luciana. Conforme ela, também é importante proporcionar condições que reduzam o estresse e permitam que as aves expressem seu comportamento de maneira adequada ao sistema de criação adotado.