Foto: USDA
De acordo com o modelo numérico do Instituto Nacional de Meteorologia, a previsão de chuva acumulada entre os dias 25 de maio e 1º de junho de 2026 aponta os maiores volumes para áreas da Região Norte do país. Já na Região Sul e em grande parte da faixa litorânea, a tendência é de menores acumulados ao longo da semana. Os destaques ficam para a faixa entre Amapá e Roraima, passando pelo norte do Amazonas e do Pará, onde os volumes podem ultrapassar 200 milímetros em sete dias. Também há previsão de chuva persistente no litoral da Bahia, além de pancadas mais intensas em áreas da Região Sul e parte do Sudeste. Em contrapartida, a região central do Brasil, desde Tocantins e o leste de Rondônia até o Sertão Nordestino, grande parte do Centro-Oeste e parte de Minas Gerais, deve manter o padrão típico do período seco, com predomínio de tempo firme e pouca chuva.
Na Região Norte, Amazonas, Pará, Amapá e Roraima devem concentrar os maiores volumes de precipitação, com acumulados que podem superar os 200 milímetros ao longo da semana, especialmente em áreas de Roraima, Amapá, norte do Amazonas e centro-norte do Pará, incluindo as regiões do Baixo Amazonas e Marajó. Nas demais áreas do Amazonas e Pará, a chuva deve ocorrer de forma mais irregular, com acumulados de até 80 milímetros. Já no Acre e no norte de Rondônia, a chuva tende a ser mais isolada. Na metade sul de Rondônia, o tempo permanece firme durante a semana, enquanto em Tocantins e no sudeste do Pará a umidade relativa do ar pode chegar a 30%.
No Nordeste, o destaque permanece sobre o litoral norte, principalmente no noroeste do Maranhão, onde os acumulados podem atingir 80 milímetros. Em toda a faixa litorânea da região há previsão de chuva isolada e, na Bahia, os volumes podem alcançar até 40 milímetros ao longo da semana. Pancadas isoladas também devem atingir o norte do Piauí e do Ceará. Já no interior nordestino, incluindo Agreste e Sertão, segue a influência da estiagem típica desta época do ano, com pouca possibilidade de chuva e baixos índices de umidade relativa do ar, que podem ficar abaixo dos 30% no Piauí.
Apesar das chuvas em diversas áreas do país. De acordo com a análise do meteorologista do Porta Agrolink, Gabriel Rodrigues, a condição de tempo seco e quente segue prejudicando o desenvolvimento do milho safrinha, sem perspectiva de chuvas significativas para os próximos 15 dias em importantes áreas produtoras do centro-norte do País.

Segundo o especialista, em Goiás, apesar das chuvas, com temporais concentrados principalmente no sul do estado, não há condição para recuperação do potencial produtivo de parte das lavouras já em maturação. Em Minas Gerais, os baixos volumes ou a ausência de precipitação continuam impactando o cereal na maior parte do estado.
No Tocantins, a maioria das áreas encontra-se em maturação, com boas perspectivas de produtividade. No Maranhão, a redução das chuvas afetou o potencial das lavouras semeadas mais tarde, mas a maior parte dos cultivos mantém boas condições. No Piauí, as lavouras se desenvolvem bem, apesar do menor volume de chuvas.
No Pará, a colheita avança no polo da BR-163, favorecida pela redução das chuvas, com produtividades superando as estimativas iniciais. Já em Santarém e Paragominas, as chuvas continuam a beneficiar as lavouras, que vão do estádio vegetativo ao enchimento de grãos.
Para os próximos dias, o meteorologista explica que o Mato Grosso e a maior parte de Goiás devem manter o predomínio de tempo seco, sustentando a restrição aos cultivos de segunda safra — sobretudo os mais tardios. No interior do Nordeste, a baixa probabilidade de chuva mantém a restrição hídrica no Matopiba.
Veranico e estiagem: atenção redobrada nas fases críticas
O milho safrinha é altamente dependente de chuvas regulares, e veranicos e estiagens são ameaças recorrentes nas regiões produtoras. "O pendoamento, o florescimento e o enchimento de grãos são os estágios mais sensíveis ao déficit hídrico, com impacto direto sobre a produtividade — esses eventos, quando coincidem com tais fases, podem reduzir drasticamente o rendimento das lavouras", aponta.
Para Gabriel Rodrigues, o risco se agrava nos plantios tardios, em que a fase reprodutiva tende a coincidir com a janela mais seca do período e com a maior probabilidade de geada, elevando a chance de quebra de safra.