Tensões globais afetam mercado de carne suína
Exportações brasileiras batem recorde
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As tensões geopolíticas no Oriente Médio e questões sanitárias na Europa estão alterando a dinâmica global da indústria suína no início do ano, segundo relatório trimestral do Rabobank. De acordo com o banco, o conflito envolvendo o Irã deve gerar impactos indiretos que encarecem a cadeia produtiva no longo prazo. Ao mesmo tempo, um surto de peste suína na Espanha abriu espaço no mercado asiático, favorecendo exportações do Brasil e ampliando as vendas dos Estados Unidos para o Japão no primeiro trimestre.
A divisão de análises do banco, RaboResearch, avalia que o setor enfrentará "efeitos de segunda e terceira ordem" decorrentes das tensões no Oriente Médio. O relatório aponta que um eventual fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar a logística, com aumento dos fretes devido à alta nos preços do diesel e do gás natural, além de pressionar os custos de produção e reduzir margens de produtores e frigoríficos. O banco também indica possível retração no consumo, diante da inflação e da incerteza econômica.
No cenário sanitário, o mercado foi afetado pelo registro de Peste Suína Africana na população de javalis da Espanha. O Japão suspendeu as importações de carne suína espanhola no fim de novembro de 2025, o que alterou o fluxo de comércio internacional.
Segundo o Rabobank, em janeiro de 2026, a queda nas importações japonesas de carne suína da Espanha foi de 10,4% na comparação anual, impacto atenuado pela utilização de estoques processados antes do embargo. A instituição projeta redução mais acentuada no segundo trimestre, com o esgotamento desses volumes.
A ausência do produto espanhol abriu espaço para outros fornecedores no Japão. As exportações dos Estados Unidos cresceram 21% em relação ao ano anterior, ampliando a participação no mercado asiático.
O Brasil também ampliou sua presença e registrou volumes recordes no primeiro trimestre, conforme o relatório do Rabobank. O país exportou 381 mil toneladas no período, com embarques para o Japão avançando 60% na comparação anual, totalizando 43 mil toneladas.
Apesar do crescimento nas vendas ao Japão, as Filipinas permaneceram como principal destino da carne suína brasileira, com importações de 121 mil toneladas no trimestre.
Com informações da ACCS e Pig Progress.*