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Terceiro verão com influência de La Niña

Entende quais serão os possíveis impactos


Foto: Pixabay

O fenômeno climático La Niña continuará pelo terceiro ano consecutivo e pode durar até o início do próximo ano, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Isso deve ter um efeito direto no clima em todo o mundo, desde secas na África até um verão extremamente úmido na Austrália.

Em um anúncio recente, a OMM disse que previu que essa atual fase de La Niña, que começou em Setembro de 2020, continuará nos próximos seis meses. Além disso, de acordo com as perspectivas da NOAA, as condições do fenômeno podem continuar até janeiro-março de 2023 com 54% de chances, podendo retornar para neutralidade entre fevereiro e abril, com 56% de chances. 

Os eventos de La Niña com três anos de duração são extremamente raros, embora não totalmente inéditos. As condições de La Niña geralmente duram menos de um ano, ainda que possam ser vistas em dois anos consecutivos ocasionalmente. No entanto, três anos é profundamente incomum. Desde o início dos registros, o triplo ano de La Niña foi relatado apenas algumas vezes: de 1973 a 1976 e de 1998 a 2001. Alguns também incluem as condições que persistiram de 1954 a 1957.

“É excepcional ter três anos consecutivos com um evento La Niña”, afirmou o professor Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, em comunicado.

As temperaturas no leste tropical do Oceano Pacífico aumentam e diminuem em um ciclo conhecido como El Niño-Oscilação Sul. A fase de resfriamento – com temperaturas da superfície do mar abaixo da média em todo o centro-leste do Pacífico – é chamada de La Niña, que significa “a garota” em espanhol. El Niño, que significa "o menino", refere-se à fase quente quando as águas superficiais mais quentes do Pacífico ficam ao largo do noroeste da América do Sul. Há também um estágio neutro que ocorre entre as fases.

Essas mudanças interrompem os padrões de vento, nuvens e pressão sobre o Pacífico, desencadeando uma cascata de efeitos que podem ser vistos no clima em todo o mundo. Na América do Sul não é diferente, também há fortes influências dos efeitos da La Niña. 

Na recente projeção realizada pelo Instituto Internacional de Pesquisas para o Clima e Sociedade (IRI), há uma forte sinalização da redução das chuvas para o trimestre de Outubro a Dezembro de 2022 na região sul do continente e o aumento das águas na metade nordeste.

Essas projeções afetaram até mesmo a perspectiva de produtividade de trigo e cevada da Argentina, no qual apresentou uma leve redução na previsão de rendimentos na plataforma ProRindes (ferramenta de previsão de rendimentos em várias localidades da região dos pampas argentinos). 

A região sul do Brasil também será afetada, caso a previsão se confirme. Contudo, os maiores impactos serão observados na safra de 2023, especialmente nos cultivos de verão. Até o momento, o trigo vem experimentando uma boa distribuição de chuvas ao longo desta temporada, o que está garantindo bons armazenamentos de água no solo. 

Seguindo o padrão típico de um verão com La Niña, as chuvas podem ficar acima da média no centro-norte do Brasil. Desde o sudeste até a faixa norte, a tendência é de que as chuvas sejam positivas nas principais áreas produtoras, como no MATOPIBA e no Mato Grosso. 

Material elaborado pela equipe Agrotempo. 



 

 

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