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Tereza Cristina afirma que agro vive “tempestade perfeita” e pede soluções urgentes

Momento é marcado por problemas climáticos, crédito caro e preços pressionados


Foto: Aline Merladete

A senadora Tereza Cristina afirmou que o agronegócio brasileiro vive uma “tempestade perfeita”, marcada pela combinação entre problemas climáticos, crédito caro, preços agrícolas pressionados e dificuldades no acesso ao seguro rural. A declaração foi feita durante o Congresso da Abramilho. 

Segundo a parlamentar, o atual momento do agro é resultado da soma de fatores internacionais e internos que impactam diretamente a rentabilidade da produção. Entre eles estão os reflexos das guerras sobre a logística global, fertilizantes, óleo diesel e defensivos agrícolas, além da queda das commodities e dos juros elevados no Brasil.

“A gente tem uma tempestade perfeita neste momento”, declarou Tereza Cristina. A senadora destacou que o setor atravessa um período delicado e afirmou que o atual modelo do Plano Safra já não acompanha as necessidades da agricultura brasileira.

“Vamos ter que pensar um novo modelo para o Plano Safra brasileiro, porque o que existe hoje não é mais compatível com o tamanho da nossa agricultura”, afirmou.

Juros altos pressionam produtores rurais

Um dos principais pontos levantados por Tereza Cristina foi o custo do crédito rural. Segundo ela, apesar de existir dinheiro disponível no mercado financeiro, as taxas praticadas atualmente inviabilizam a tomada de novos financiamentos pelos produtores.

“Pegar dinheiro de 18% a 22% é uma insanidade, não tem condições”, disse. De acordo com a senadora, muitos agricultores enfrentam dificuldades para cumprir seus compromissos financeiros devido à combinação entre custos elevados de produção, perdas climáticas em alguns estados e preços achatados das commodities agrícolas.

Ela afirmou ainda que a situação atual exige políticas públicas mais eficientes e alinhamento entre governo federal, setor produtivo e instituições financeiras.

Endividamento rural chega a R$ 170 bilhões

Durante a entrevista, Tereza Cristina afirmou que o endividamento do setor agropecuário já alcança cerca de R$ 170 bilhões. Segundo ela, apenas um terço desse montante está concentrado nos bancos, enquanto o restante envolve operações privadas, fornecedores e dívidas que não conseguiram ser renegociadas.

A parlamentar citou o Projeto de Lei 5.122, aprovado na Câmara, como uma tentativa de modernizar o sistema de crédito rural brasileiro. Segundo ela, o projeto foi inicialmente estruturado para atender principalmente produtores do Rio Grande do Sul, mas o agravamento da crise ampliou o problema para outras regiões do país.

“Hoje nós não temos só problema climático. Temos problema de clima, problema de crédito e problema de preço”, afirmou.

Garantias e seguro rural preocupam setor

Outro ponto destacado pela senadora foi a dificuldade dos produtores em apresentar garantias para acessar novas linhas de financiamento. Segundo ela, muitos agricultores já não possuem patrimônio suficiente para oferecer aos bancos diante dos riscos crescentes da atividade agrícola.

“O problema de garantia é central”, declarou. Além disso, Tereza Cristina defendeu mudanças estruturais no seguro rural brasileiro. Para a parlamentar, o setor agropecuário não consegue mais operar sem uma política robusta de proteção contra perdas climáticas e oscilações econômicas.

“Não dá mais para a agricultura brasileira trabalhar sem seguro rural”, afirmou.

Ao comentar o cenário atual, a senadora afirmou que o momento exige diálogo e construção de soluções conjuntas para evitar o agravamento da crise financeira no campo. Segundo ela, o governo federal precisará ter sensibilidade diante da importância estratégica do agronegócio para a economia brasileira e para a segurança alimentar global. “O Brasil é um grande produtor e um grande exportador. Nós damos segurança alimentar para muitos países do mundo”, disse.

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