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Triângulo Mineiro responde por 24% do leite em MG

Minas Gerais é o estado que tem a maior produção leiteira do Brasil


O Brasil é o sexto maior produtor mundial de leite. Ao longo dos últimos 25 anos, a produção nacional do produto teve um crescimento significativo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — Pesquisa Pecuária Municipal(IBGE-PPM), só de 1995 a 2005, a produção aumentou cerca de 50%, passando de 16,4 bilhões para estimados 25 bilhões.

Na região Sudeste do País estão concentrados a maior produção, os maiores centros de consumo e as indústrias de laticínios. Entre os Estados desta região, Minas Gerais ocupa o primeiro lugar na produção de leite (71%) e também o primeiro lugar entre todos os Estados brasileiros na produção nacional (29%). Nos últimos 10 anos, as maiores produções do Estado ocorreram nas regiões do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba (24,7%), Sul/Sudeste (15,8%) e Zona da Mata (9,8%).

De acordo com o presidente da Comissão Técnica de Leite da Federação do Estado de Minas Gerais (Faemg), Eduardo Dessimoni, que também é coordenador da Câmara do Leite da Secretaria Estadual da Agricultura e diretor do Sindicato Rural de Uberlândia, o incremento na produção de leite tanto no Brasil quanto em Minas Gerais não está relacionado ao aumento do rebanho, mas ao aumento da média por animal. Segundo ele, isso ocorreu em função da evolução genética e dos investimentos em melhorias no manejo.

De acordo com o diagnóstico do setor, as principais mudanças foram o aumento significativo da produção média (litros/produtor) e a redução do número de produtores na atividade. Em 95, a produção média era de 95,80 litros/dia e, em 2005, de 184,26 litros/dia, aumento que corresponde a 92%.

No primeiro semestre de 2005, a produção de leite inspecionado aumentou 13,3% em relação ao mesmo período de 2004. No segundo semestre, o crescimento na produção, diante de um quadro restritivo de consumo doméstico e de taxa de câmbio desfavorável à exportação, fez com que o preço pago ao produtor caísse.

De acordo com Eduardo Dessimoni, o preço pago ao produtor pelo litro de leite diminui R$ 0,10 em relação ao ano passado, quando ele recebia R$ 0,60 pelo litro. Ele acredita que esta queda se deve à política econômica do País e, por isso, não há perspectiva de aumento para este ano. "O valor pago hoje pelo litro de leite não remunera, por isso, muitos produtores trabalham abaixo do custo de produção", disse.

O diagnóstico da pecuária leiteira nacional e, principalmente de Minas Gerais, será apresentado em Uberlândia, no dia 12 de setembro. O material foi produzido pelo professor da Universidade Federal de Viçosa, Sebastião Teixeira Gomes, a pedido das entidades: Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerias (Ocemg), Faemg, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Sebrae/MG.

Pecuaristas creditam rentabilidade a uso da tecnologia

Júlio César Pereira é pecuarista há mais de 20 anos, no Município de Uberlândia, e confirma que, nos últimos anos, houve muitas mudanças no setor leiteiro. Segundo ele, houve uma redução do número de produtores em Minas na atividade, mas, ao mesmo tempo, os investimentos em tecnologia, alimentação e genética, no setor de uma forma geral, contribuíram para o aumento médio da produção."Muitos Estados que não produziam leite, como os da região Norte do País, hoje são grandes produtores", revelou.

Na fazenda do pecuarista, a produção triplicou nos últimos cinco anos. Segundo ele, a média de produção é de 28 litros por vaca, com três ordenhas diárias. Todo o manejo é feito de forma mecanizada. O rebanho é de aproximadamente 400 cabeças e metade está em lactação. Júlio César conta que o diferencial é investir em tecnologia para permanecer no mercado e conseguir competir em termos de qualidade com o mercado internacional.

No entanto, esse investimento é alto e de longo prazo. No geral, os produtores leiteiros reclamam dos preços pagos, que não cobrem os custos de produção. O pecuarista Hamilton Wagner de Moraes, que também está no setor há 20 anos, conta que recebe R$ 0,45 por litro de leite. "O preço está bem baixo e não dá para suprir as despesas. A solução é seguir o exemplo de outros países e trabalhar com maior volume e qualidade", disse.

Na fazenda de Hamilton de Moraes, a produção diária de leite já chegou a 550 litros, mas agora, por causa da entressafra, do processo de seleção do gado e da preparação de pastagens, a ordenha atual é de 200 litros. O pecuarista acredita que essa quantidade deve aumentar 30%, porque desde segunda-feira ele passou a fazer duas ordenhas diárias.

Hamilton de Moraes tem 35 vacas em lactação e diz que está investindo em tecnologia e no melhoramento do manejo para aumentar a produtividade. "O produtor que quiser continuar no mercado tem que aumentar sua produção e oferecer qualidade", ressaltou.

Uberlândia sedia evento sobre a produção de leite

Acontece desta quinta-feira (24-08) até sábado, o "1º Encontro sobre Formação Gerencial de Produtores de Leite". Os produtores vão discutir sobre a melhoria na produtividade e a eficiência do uso de recursos para a produção de leite.

Durante os dois dias do evento no Center Convention, serão debatidos temas como a disponibilidade de técnicas de produção, o entendimento do mercado e o gerenciamento da propriedade rural. Numa perspectiva mais ampla de gestão administrativa, serão analisadas questões como a gestão financeira, de pessoas e meio ambiente.

Nesta quinta-feira será apresentado o tema "Gestão de custos de produção e indicadores de rentabilidade", por Sebastião Teixeira Gomes, professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), e Christiano Nascif, coordenador-técnico da Educampo/Sebrae. À tarde, a psicóloga e professora de recursos humanos da FEA/USP, Tânia Casado, falará sobre "gestão de pessoas".

No sábado, o professor da Faculdade Ibmec-SP, Fábio Ribas Chaddad, vai abordar o tema "Estratégias competitivas para produtores". À tarde, Raimundo Godoy Castro Filho, do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDC), enfoca "Gestão de qualidade". Para o encerramento, no dia 26, estão programadas três palestras sobre produção leiteira. Às 8h30, Eduardo Giannetti da Fonseca fala sobre "Uma análise do caminho brasileiro rumo ao desenvolvimento"; às 10h30, a palestra "Perspectivas para o mercado leiteiro no Brasil" será apresentada por Paulo do Carmo Martins e, às 11h30, Marcelo Pereira de Carvalho comenta sobre "Grandes tendências para o setor lácteo no mundo".

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