Trigo brasileiro acompanha alta internacional
Clima e guerra elevam preços do trigo
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Os preços do trigo pagos aos produtores registraram alta nas principais praças acompanhadas no Brasil, segundo o Boletim Agropecuário de maio divulgado pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa). Em Santa Catarina, o valor médio do cereal avançou 1,94% na comparação mensal e encerrou abril em R$ 62,45 por saca de 60 quilos. Apesar da recuperação no curto prazo, o preço ainda acumula queda de 19,46% em relação ao mesmo período do ano anterior. No Rio Grande do Sul, a valorização mensal foi de 6,15%, enquanto no Paraná, no mercado balcão, a alta chegou a 6,40%.

De acordo com o levantamento da Epagri/Cepa, o mercado internacional do trigo vem sendo impactado por fatores climáticos e geopolíticos. A seca persistente nas Grandes Planícies dos Estados Unidos afetou a safra de trigo de inverno, com parte significativa das lavouras classificada entre ruim e muito ruim. Também pesam sobre o mercado as preocupações com os efeitos do fenômeno El Niño no verão de 2026, além das tensões no Oriente Médio, que elevaram os custos de produção e aumentaram as incertezas sobre a oferta global.
O boletim aponta ainda que o aumento nos custos dos fertilizantes e a perspectiva de redução da área plantada em importantes países produtores contribuíram para a valorização das cotações. No mercado futuro internacional, os contratos de trigo para julho de 2026 estavam cotados a US$ 6,35 por bushel, enquanto os vencimentos para dezembro de 2026 eram negociados a US$ 6,71 por bushel.
Nos Estados Unidos, o setor acompanha as condições climáticas no Hemisfério Norte. Até 26 de abril, 34% da safra nacional de trigo de inverno havia atingido a fase de espigamento, mas apenas 30% das lavouras apresentavam condições consideradas boas ou excelentes. Segundo o relatório, temperaturas acima da média e a persistência da seca em áreas do sudeste norte-americano reduziram a umidade superficial do solo e aumentaram as preocupações sobre a produção.
As projeções mais recentes do relatório WASDE, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, indicam oferta mundial de trigo estimada em 1,103 bilhão de toneladas para a safra 2025/26. O aumento é atribuído, principalmente, à maior produção na União Europeia e na Rússia. Já o consumo global foi reduzido para 820,1 milhões de toneladas, refletindo a menor demanda da Índia para alimentação, sementes e indústria.
O relatório também aponta que o comércio mundial de trigo deve atingir 221,9 milhões de toneladas, influenciado pela redução das exportações da Ucrânia, Austrália e Brasil. O avanço das vendas externas da Rússia e do Cazaquistão não compensou totalmente essas quedas. Os estoques finais globais para 2025/26 foram revisados para 283,1 milhões de toneladas, volume 9% superior ao registrado no ano passado, com destaque para os aumentos observados em Índia, Ucrânia, União Europeia, Austrália e Bangladesh.