Trigo fecha semana estável após dados do USDA
Rússia pode colher maior safra de trigo em anos
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As cotações internacionais do trigo encerraram a semana praticamente estáveis na Bolsa de Chicago, após um período de volatilidade influenciado pelos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). De acordo com a análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente ao período de 26 de junho a 2 de julho e publicada nesta quinta-feira (2), o primeiro contrato do cereal chegou a ser negociado a US$ 5,69 por bushel no dia 29 de junho, mas recuperou parte das perdas após a divulgação dos dados oficiais.
No fechamento da quinta-feira (2), o contrato encerrou cotado a US$ 5,90 por bushel, praticamente repetindo o valor registrado uma semana antes, de US$ 5,91. Apesar da estabilidade semanal, a média de junho ficou em US$ 5,89 por bushel, resultado 7,2% inferior ao observado em maio. Na comparação com junho do ano passado, porém, quando a média foi de US$ 5,40 por bushel, os preços permanecem em nível superior.
Os dados do USDA mostraram uma redução significativa da área destinada ao cultivo de trigo nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, a área efetivamente semeada caiu 6% em relação ao ciclo anterior, totalizando 17,28 milhões de hectares, abaixo dos 18,34 milhões registrados no ano passado e também inferior à expectativa média do mercado, estimada em 17,75 milhões de hectares.
O relatório também apontou aumento nos estoques trimestrais do cereal. Na posição de 1º de junho, os volumes armazenados cresceram 8% em comparação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 25 milhões de toneladas. Ainda assim, o resultado ficou ligeiramente abaixo da projeção média dos analistas, que esperavam 25,42 milhões de toneladas.
Além do cenário norte-americano, a Ceema destaca mudanças nas perspectivas para a produção da Rússia. Analistas privados elevaram a estimativa para a safra 2026/27 do país, projetando uma colheita de 91,2 milhões de toneladas de trigo. Caso o volume se confirme, será o maior desde a safra recorde de 2022/23, quando a produção alcançou 96 milhões de toneladas.
A revisão foi motivada pela recuperação das lavouras de trigo de inverno, cuja produção está estimada em 69,1 milhões de toneladas. Em contrapartida, a expectativa é de redução na produção do trigo de primavera, que deve somar 22 milhões de toneladas, abaixo das 29,3 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior e no menor nível desde a safra 2019/20.
Segundo a análise, a área total colhida com trigo na Rússia deverá atingir 25,66 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 3.550 quilos por hectare, o equivalente a aproximadamente 59,2 sacas por hectare.