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Trigo ou milho: o que dá mais lucro?

Na comparação direta, o milho se destaca em receita bruta, mas tem custo alto


Na comparação direta, o milho se destaca em receita bruta, mas tem custo alto Na comparação direta, o milho se destaca em receita bruta, mas tem custo alto - Foto: Canva

A comparação entre milho e trigo indica um cenário de margens apertadas no campo, com diferenças importantes na relação entre risco, custo e tendência de preços. Segundo a TF Agroeconômica, o milho opera atualmente na faixa de R$ 66 a R$ 68 por saca no Brasil, com viés de queda diante da entrada da safrinha, enquanto o trigo no Sul do país aparece entre R$ 1.250 e R$ 1.400 por tonelada, com tendência de alta.

No exemplo considerado, o milho safrinha parte de uma produtividade de 100 sacas por hectare e preço de R$ 67 por saca, o que gera receita bruta de R$ 6.700 por hectare. Já o trigo, com produtividade de 50 sacas por hectare e preço de R$ 75 por saca, equivalente a cerca de R$ 1.250 por tonelada, alcança receita bruta de R$ 3.750 por hectare. A diferença mostra que o milho ainda entrega maior faturamento por área, mas esse desempenho precisa ser avaliado junto ao custo de produção.

No milho safrinha, os custos médios ficam entre R$ 5.500 e R$ 6.500 por hectare. Considerando uma referência de R$ 6.000 por hectare, a margem bruta fica próxima de R$ 700 por hectare, com possibilidade de resultado menor ou até negativo em alguns casos. No trigo, os custos variam de R$ 3.000 a R$ 4.000 por hectare. Com uma referência de R$ 3.500 por hectare, a margem bruta estimada é de cerca de R$ 250 por hectare, considerada apertada, porém mais estável.

A avaliação qualitativa aponta que o milho tem como pontos positivos a alta produtividade, o mercado interno forte e a relevância das exportações. Por outro lado, sofre pressão da safrinha, depende fortemente do clima e apresenta margens comprimidas. No trigo, os fatores favoráveis são a tendência de alta, a oferta restrita, a dependência de importação e o menor custo. Entre os pontos de atenção estão a menor produtividade, o impacto da qualidade sobre o preço e o mercado mais regional.

Na comparação direta, o milho se destaca em receita bruta, mas tem custo alto, margem baixa, tendência de queda, maior risco de preço e menor previsibilidade. O trigo apresenta receita menor, custo médio, margem considerada média, tendência de alta, risco de preço moderado e previsibilidade também média. Com isso, a leitura atual indica milho com volume, mas pouca margem, enquanto o trigo oferece menor volume e melhor relação risco e retorno.

A estratégia indicada é reduzir a exposição ao milho e ampliar a participação do trigo, com hedge parcial. Para o milho, a orientação é vender em repiques e evitar carregar posição. Para o trigo, a recomendação é manter parte da produção e aproveitar a tendência de alta.
 

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