Trigo pode surpreender nas próximas semanas
No Brasil, o Paraná opera entre R$ 1.370 e R$ 1.378 por tonelada
No Brasil, o Paraná opera entre R$ 1.370 e R$ 1.378 por tonelada - Foto: Canva
O mercado de trigo segue dividido entre a pressão da oferta global e fatores de risco que evitam quedas mais fortes nas cotações. Segundo análise semanal da TF Agroeconômica, a colheita no Hemisfério Norte mantém o viés de baixa no exterior, enquanto a menor disponibilidade doméstica sustenta os preços no Brasil.
Nos Estados Unidos, chuvas excessivas em áreas de trigo SRW atrasam a colheita e elevam o risco de perda de qualidade, embora ainda não haja impacto produtivo relevante. A cobertura de posições vendidas por fundos favoreceu uma recuperação técnica. A compra de 800 mil a 850 mil toneladas pela Argélia reforçou a demanda, enquanto os ataques a portos e embarcações ucranianas elevaram o risco logístico no Mar Negro.
Mesmo assim, Chicago, Kansas e Minneapolis fecharam a semana em baixa. O avanço da colheita norte-americana, a proximidade da safra europeia, as exportações fracas dos Estados Unidos e as boas perspectivas para Rússia, União Europeia e parte do Mar Negro ampliam a percepção de oferta. Na Argentina, o plantio adiantado também sinaliza boa produção.
Na CBOT, o contrato dezembro de 2026 tem suporte em US$ 6,10 por bushel e resistências em US$ 6,55 e entre US$ 6,75 e US$ 7,00. A tendência de curto prazo é lateral a levemente baixista, com chance de reação se os riscos climáticos aumentarem.
No Brasil, o Paraná opera entre R$ 1.370 e R$ 1.378 por tonelada, com viés de sustentação. No Rio Grande do Sul, a faixa vai de R$ 1.320 a R$ 1.333, em movimento lateral. A menor safra, os estoques reduzidos e a necessidade de importação dão suporte às cotações, mas a dificuldade dos moinhos em vender farinha e a queda do farelo limitam novas altas. Para as próximas semanas, a expectativa é de estabilidade no país e leve pressão baixista em Chicago.