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Trigo preocupa com clima e previsão de safra menor

Custos pressionam área plantada de trigo em 2026


Foto: Canva

Os preços do trigo permaneceram estáveis nas principais praças produtoras do Sul do país, mas as condições climáticas e a perspectiva de redução da safra nacional mantêm o mercado em alerta. Segundo o Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (23), a saca do cereal segue entre R$ 70,00 e R$ 71,00 nas principais regiões do Rio Grande do Sul e do Paraná.

O boletim destaca preocupação com o aumento da umidade nas lavouras paranaenses e com as chuvas persistentes no Rio Grande do Sul, onde o plantio está praticamente concluído. Em Santa Catarina, a semeadura alcançou 77% da área prevista, enquanto Goiás já colheu 40% da área cultivada e Minas Gerais 5%. No cenário nacional, apenas 1,3% da área destinada ao trigo havia sido colhida até o momento, abaixo da média histórica de 2,5% para o período.

As perspectivas para a produção brasileira também preocupam. Conforme estimativas da consultoria Safras & Mercado, reproduzidas na análise do Deral, a área cultivada com trigo em 2026 deverá recuar para 1,9 milhão de hectares, redução de 20% em relação ao ano anterior. Com isso, a produção é estimada em 5,86 milhões de toneladas, queda de 27,9%, enquanto a produtividade média deve ficar em 3.073 quilos por hectare, cerca de 10% inferior à da safra passada. A análise aponta que a deterioração da relação entre custos de produção e preços recebidos pelos produtores é um dos principais fatores para a retração, somada ao aumento dos fertilizantes, principalmente os nitrogenados, aos impactos das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre os insumos agrícolas, à ampla oferta internacional, à concorrência do trigo importado e às sucessivas safras com margens reduzidas ou negativas. O estudo também cita o elevado endividamento dos produtores, a limitação da cobertura do seguro rural e os riscos climáticos como fatores que influenciam a redução da área cultivada. Diante desse cenário, a expectativa é de que as importações brasileiras superem 8 milhões de toneladas no próximo ano comercial, ampliando a dependência do trigo argentino. Ainda conforme a projeção da Safras & Mercado, o Rio Grande do Sul deverá reduzir em 28,6% a área plantada, para 750 mil hectares, com produção estimada em 2,4 milhões de toneladas, queda de 33,3%. No Paraná, a área deve encolher 13,5%, para 740 mil hectares, e a produção deverá recuar 21,4%, para 2,2 milhões de toneladas. Também são esperadas reduções na produção em Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Bahia, sem considerar possíveis perdas provocadas por fatores climáticos.

Mesmo com a redução das importações brasileiras de trigo no primeiro semestre de 2026, quando o país adquiriu 2,77 milhões de toneladas, frente às 3,57 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025, o cenário tende a mudar nos próximos meses. Segundo o Deral, a menor oferta interna prevista para a atual safra deverá elevar novamente a necessidade de importação do cereal durante o segundo semestre deste ano e ao longo de 2027.

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