Trigo sobe forte com tensão no Mar Negro
Chicago registra maior cotação do trigo em dois anos
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As cotações do trigo registraram forte valorização na Bolsa de Chicago ao longo da semana entre 10 e 16 de julho, impulsionadas por problemas climáticos em importantes regiões produtoras e pelo agravamento do conflito entre Rússia e Ucrânia. Segundo a análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), divulgada nesta quinta-feira (16), o contrato de primeiro vencimento atingiu US$ 6,77 por bushel no dia 15 de julho, maior nível desde 31 de maio de 2024. No encerramento desta quinta-feira, o cereal foi negociado a US$ 6,74 por bushel, ante US$ 6,11 na semana anterior. No fim de junho, a cotação estava em US$ 5,69, o que representa uma valorização superior a um dólar por bushel em cerca de 15 dias úteis.
De acordo com a Ceema, além das preocupações com o clima em diferentes regiões produtoras, o mercado reagiu à expectativa de uma safra menor nos Estados Unidos, estimada em apenas 41,8 milhões de toneladas, a menor desde a temporada 1970/71. A escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia também voltou a influenciar os preços, já que a região do Mar Negro é uma das principais produtoras e exportadoras mundiais de trigo.
O relatório de oferta e demanda divulgado em 10 de julho reduziu novamente a projeção para a produção norte-americana, fixando-a em 41,8 milhões de toneladas. Os estoques finais dos Estados Unidos para o ciclo 2026/27 também foram revisados para baixo, passando para 19,7 milhões de toneladas. A produção mundial foi mantida em 820 milhões de toneladas, enquanto os estoques globais recuaram para 272,8 milhões de toneladas, cerca de três milhões abaixo da estimativa de junho. O documento projeta ainda uma safra de 21 milhões de toneladas na Argentina e de 6,7 milhões de toneladas no Brasil, cenário que deverá levar o mercado brasileiro a importar aproximadamente 7,2 milhões de toneladas no novo ano comercial.
Na Argentina, a comercialização da nova safra segue em ritmo reduzido, mesmo com o plantio avançando rapidamente. Conforme destacou a Ceema, com base em informações da Bolsa de Grãos de Rosário, os produtores têm evitado fechar novos contratos diante da queda dos preços e das incertezas em relação à oferta futura.
Segundo a Bolsa de Grãos de Rosário, cerca de 82% da área prevista para a safra de trigo 2026/27 já foi semeada. Apesar disso, apenas dois milhões de toneladas da nova produção haviam sido comercializadas até o momento, um dos menores volumes registrados para o período na última década. Esse montante representa 10,5% da produção estimada, abaixo da média de 16,6% observada nos últimos cinco anos para esta fase da temporada. Além disso, aproximadamente 690 mil toneladas já negociadas ainda aguardam definição de preço.
A retração nas vendas está diretamente ligada à queda das cotações futuras. O contrato para entrega em dezembro recuou de cerca de US$ 231 por tonelada no fim de abril e em meados de maio para aproximadamente US$ 206 no início de julho. Diante desse movimento, muitos produtores optaram por adiar as negociações, evitando fechar contratos em níveis considerados pouco atrativos.
Esse comportamento pode resultar em um aumento dos estoques argentinos caso o ritmo das exportações não seja mantido. A Bolsa de Grãos de Rosário estima que os estoques finais da temporada 2025/26 alcancem cerca de 4,5 milhões de toneladas, o maior volume desde 2014/15, mesmo com uma demanda interna prevista em 9,2 milhões de toneladas e exportações estimadas em um recorde de 19 milhões de toneladas.
Além da retenção por parte dos produtores, a Argentina enfrenta um ambiente de maior concorrência no mercado internacional. O preço de exportação do trigo argentino gira atualmente em torno de US$ 227 por tonelada, próximo ao praticado por outros grandes fornecedores, enquanto a entrada das safras do Hemisfério Norte segue pressionando as cotações globais do cereal.