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Trigo tem queda após fala de Trump

Trigo mantém firmeza no mercado brasileiro


Foto: Divulgação

As cotações do trigo registraram forte queda no mercado internacional ao longo da última semana, influenciadas pelo cenário geopolítico no Oriente Médio e pela sinalização dos Estados Unidos de uma possível redução das tensões com o Irã. A análise foi divulgada nesta quinta-feira (7) pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, no relatório referente ao período entre 1º e 7 de maio.

Segundo a entidade, o contrato do primeiro mês do trigo em Chicago caiu de US$ 6,49 por bushel, registrado em 28 de abril, para US$ 6,06 no dia 6 de maio. O movimento ocorreu após o anúncio do presidente Donald Trump de que o país deixaria de monitorar o Estreito de Ormuz e buscaria um acordo com o Irã para encerrar o conflito na região.

Na quinta-feira (7), o cereal voltou a recuar e encerrou o dia cotado a US$ 6,01 por bushel, abaixo dos US$ 6,23 registrados na semana anterior. A média de abril ficou em US$ 6,01 por bushel, alta de 1% em relação aos US$ 5,95 de março.

Nos Estados Unidos, as condições das lavouras de trigo de inverno seguem pressionadas. Até o dia 3 de maio, 37% das áreas estavam classificadas entre ruins e muito ruins, enquanto 31% apresentavam condição boa a muito boa. Já o plantio do trigo de primavera alcançava 32% da área prevista, pouco abaixo da média histórica de 35% para o período.

No Brasil, os preços permaneceram firmes e com viés de alta, impulsionados pela escassez de trigo de qualidade e pela expectativa de redução de área plantada na atual safra. A análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário também destaca a possibilidade de diminuição da área cultivada na Argentina em razão dos custos de produção elevados.

Atualmente, os preços internos variam entre R$ 63,00 e R$ 64,00 por saca no Rio Grande do Sul e entre R$ 66,00 e R$ 67,00 no Paraná.

Mesmo com a sustentação no mercado doméstico, o recuo das cotações em Chicago aumenta a pressão sobre os preços internos devido à redução dos custos de importação. Segundo avaliação do Cepea, a formação dos preços continua dependente da oferta interna e do ritmo de comercialização durante a entressafra.

Além do cenário geopolítico, o mercado acompanha as condições climáticas nas regiões produtoras do Hemisfério Norte, fator que pode influenciar o desenvolvimento das lavouras e reduzir os prêmios de risco no curto prazo.

No Brasil, o fortalecimento do real frente ao dólar também pesa sobre o mercado. Durante a semana, a moeda norte-americana chegou ao patamar de R$ 4,91. A análise ressalta ainda que o ambiente internacional segue marcado pela volatilidade das commodities agrícolas, com investidores reagindo às mudanças no cenário político e financeiro global.

No Sul do país, as negociações continuam lentas, segundo avaliação da TF Agronômica. O mercado enfrenta descompasso entre os preços pedidos pelos vendedores e os valores aceitos pelos moinhos.

No Rio Grande do Sul, produtores pedem cerca de R$ 1.350,00 por tonelada no interior, enquanto os moinhos afirmam que os preços atuais comprometem a margem operacional. Com estoques garantidos para maio e parte de junho, compradores reduziram a participação no mercado para evitar novas pressões sobre os preços.

A indústria moageira aponta dificuldades para repassar custos diante da lentidão nas vendas de farinha e da alta nas despesas com trigo, frete e embalagens. Na safra nova, foram registrados negócios pontuais ao redor de R$ 1.250,00 CIF porto e CIF moinhos, com cerca de 40 mil toneladas já negociadas antecipadamente entre moinhos e exportadores.

Em Santa Catarina, o mercado também segue lento, condicionado ao desempenho das vendas de farinha. As ofertas de trigo do Paraná e do Rio Grande do Sul avançaram para R$ 1.400,00 por tonelada FOB, enquanto o trigo catarinense gira em torno de R$ 1.300,00 FOB.

No Paraná, os negócios seguem reduzidos. Os moinhos trabalham com ofertas entre R$ 1.370,00 e R$ 1.430,00 por tonelada CIF para entrega em junho, enquanto os vendedores mantêm pedidos em valores mais elevados. Para a nova safra, compradores indicam preços entre R$ 1.320,00 e R$ 1.350,00 FOB para setembro.

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