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Tripes no feijão: saiba identificar cedo a praga e evite perdas na lavoura

Monitoramento ajuda a identificar tripes no feijão


Foto: Pixabay

A identificação precoce dos tripes no feijão é fundamental para reduzir perdas de produtividade e preservar a qualidade das vagens e dos grãos. O ataque da praga, principalmente de espécies do gênero Frankliniella, pode comprometer flores, folhas e vagens, exigindo monitoramento constante e manejo integrado ao longo de todo o ciclo da cultura.

Os tripes estão entre as pragas que exigem maior atenção dos produtores de feijão, especialmente em períodos de clima quente e seco. Esses insetos, principalmente do gênero Frankliniella, alimentam-se raspando a superfície das folhas, flores e vagens para sugar a seiva, provocando danos que podem comprometer o desenvolvimento da lavoura e reduzir a produtividade.

O reconhecimento rápido dos sintomas é considerado um dos principais fatores para evitar prejuízos. Quando o ataque passa despercebido nas fases iniciais, a praga pode reduzir o pegamento das flores, deformar vagens e prejudicar o enchimento dos grãos, afetando diretamente o rendimento da cultura.

Por isso, o monitoramento deve começar ainda na fase vegetativa inicial, com inspeções frequentes no terço superior das plantas, nas flores e nas vagens recém-formadas.

As primeiras evidências do ataque costumam aparecer nas folhas jovens, que apresentam pequenas áreas prateadas ou esbranquiçadas devido à raspagem da epiderme. Com a evolução da infestação, essas regiões tornam-se bronzeadas, podendo evoluir para necrose e enrolamento das folhas.

Nas flores, os sintomas incluem pétalas descoloridas, ressecadas e queda prematura. Já nas vagens novas surgem manchas prateadas que evoluem para cicatrizes castanhas, além de deformações, redução do número de grãos e perda da qualidade comercial.

Um dos principais desafios do diagnóstico é diferenciar os danos provocados pelos tripes de problemas como deficiência nutricional, fitotoxidez causada por defensivos ou queimaduras provocadas pelo excesso de radiação solar.

Enquanto deficiências nutricionais costumam apresentar distribuição uniforme no talhão, os danos dos tripes aparecem de forma irregular e geralmente estão associados à presença dos insetos nas folhas novas, flores e vagens.

Segundo as orientações técnicas, o impacto econômico depende principalmente do estágio da cultura, da intensidade da infestação e do tempo em que a praga permanece ativa.

Durante o pré-florescimento, o ataque reduz a área foliar e aumenta a sensibilidade das plantas ao estresse hídrico. No florescimento, pode provocar queda de botões florais e diminuir o número de vagens por planta. Já na fase de enchimento, favorece deformações e reduz a qualidade dos grãos.

A decisão sobre a necessidade de controle deve ser baseada no monitoramento sistemático da lavoura, levando em consideração a população da praga, os sintomas observados e o estágio de desenvolvimento das plantas.

Além da inspeção periódica, alguns fatores aumentam o risco de surtos, como histórico da praga na área, períodos prolongados de calor e baixa umidade, presença de plantas hospedeiras alternativas e uso excessivo de inseticidas de amplo espectro, que reduzem os inimigos naturais.

O manejo recomendado é integrado, combinando diferentes estratégias para reduzir a pressão da praga. Entre as medidas preventivas estão a escolha da época adequada de semeadura, o manejo de plantas daninhas e restos culturais, o ajuste do espaçamento entre plantas e o uso racional de inseticidas para preservar organismos benéficos. Em algumas situações, bioinseticidas também podem ser incorporados ao programa de manejo, desde que utilizados conforme orientação técnica.

Quando o monitoramento indicar crescimento da população associado aos sintomas em folhas, flores e vagens, poderá ser necessário recorrer a inseticidas ou bioinseticidas registrados para a cultura do feijão e para o controle de tripes.

O conteúdo técnico reforça que a escolha dos produtos, doses e intervalos de aplicação deve ser feita exclusivamente com orientação de engenheiro(a) agrônomo(a) e seguindo rigorosamente as recomendações de rótulo e bula.

Também é recomendada a rotação de mecanismos de ação para reduzir o risco de resistência da praga, além da utilização de tecnologia de aplicação que garanta boa cobertura das partes superiores da planta.

Outro ponto destacado é que o manejo dos tripes deve estar integrado às demais práticas da lavoura, como irrigação, adubação equilibrada e controle de doenças, uma vez que os danos causados pela praga podem favorecer a entrada de patógenos.

O material também lembra que toda aplicação de produtos fitossanitários deve seguir a legislação vigente, incluindo uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), descarte correto das embalagens e registro das aplicações realizadas. Ao final, a recomendação é manter inspeções frequentes, principalmente em períodos de clima favorável ao desenvolvimento dos tripes, para que as decisões sejam tomadas antes que os prejuízos se tornem irreversíveis.

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