Na semana que passou o setor do agronegócio foi surpreendido com mais uma noticia que no mínimo causou preocupações.
O Ministro de Desenvolvimento Agrário noticiou aos quatro cantos do país, que foi aprovada a mudança dos índices de produtividade agrícola para fins de considerar uma propriedade produtiva. Querem dobrar a atual produtividade. Fez questão de enaltecer que a Portaria que será publicada teve o aval do presidente Lula da Silva. Criou um alvoroço nos meios agropecuários. Primeiro por que o Ministro da Agricultura disse que não foi consultado sobre a medida. Como se trata de uma decisão de repercussão interministerial há a necessidade da assinatura de todos os ministros envolvidos no setor, desde aqueles responsáveis pelo incentivo e estimulo à agropecuária, até aqueles da área econômica do governo. Reinhold Stefanes disse que vai falar com o Presidente da República nesta semana para tratar do assunto e levar as preocupações do setor.
A final, o porquê da revolta do setor da agricultura empresarial sobre a nova medida? Argumentam as entidades de representação dos agricultores, leia-se, CNA e OCB, que está se adotando medidas para aumentar a produtividade rural, sem levar em conta outros fatores que influem diretamente no resultado da atividade. Descrevem que aumentar a produção agropecuária justo nessa época em que a economia está fragilizada e com consumo mundial reduzido, é atribuir prejuízo direto aos agricultores, especialmente àqueles que produzem em escala de exportação. E citam números: o setor agropecuário, é responsável por 36,3% das exportações; 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB), e 37% da força de trabalho do país. A par disso destacam que não está sendo levado em conta que não existe no país estrutura de armazenagem suficiente, nem meios de escoamento da produção atual, e ainda querem ampliar. Por outro lado, registram que a decisão de aumentar produtividade tem objetivo especifico de atingir a agricultura empresarial, em benefício da familiar, ou mais precisamente para atender os caprichos dos movimentos sociais dos trabalhadores sem terra, que querem conquistar a terra em cima dos atuais proprietários legalmente constituídos.
Se isso for verdadeiro, trata-se de uma reivindicação ideológica, veladamente protegida por setores do governo federal, ao invés de reivindicar a distribuição das terras improdutivas já existentes nas mãos do governo. Dados do INCRA indicam a disponibilidade de 134,5 milhões de hectares de terras aptas para o programa de redistribuição na reforma agrárias. Preferem atingir as áreas privadas, legais e que já estão produzindo, com a desculpa que precisa aumentar a produtividade.
Em outros tempos isso era chamado: tirar de quem tem, para dar a quem não tem. Todos nós sabemos quem defende esse tipo de atitude. Aumentar a produtividade no campo deve ser preocupação de todos e aceita pelos próprios agricultores, porém, dentro de process os compatíveis com a realidade e em consonância com a infraestrutura do país, respeitando o direito a propriedade, sem agredir ninguém ou pregando ideologias políticas. Todos nós queremos que o povo melhore sua condição de vida para que haja paz social, mas trabalhando e produzindo, não com artifício politiqueiro. Pense nisso.