Ureia cai 32%, mas compras seguem lentas
Compras de fertilizantes seguem abaixo de 2025
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A demanda por fertilizantes importados segue enfraquecida no Brasil em 2026, refletindo um cenário de cautela que também é observado em outros mercados ao redor do mundo. A avaliação é de StoneX, que atribui o comportamento à alta dos preços provocada pelo conflito no Oriente Médio e ao impacto sobre a rentabilidade dos produtores rurais.
Segundo o analista de inteligência de mercado da StoneX, Tomás de Pernías, as importações brasileiras das principais matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes somaram 14,6 milhões de toneladas neste ano, volume 5% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
“O ímpeto comprador enfraquecido, é importante ressaltar, não é observado apenas no mercado brasileiro. Desde que o conflito no Oriente Médio impulsionou as cotações dos fertilizantes, piorando as relações de troca dos agricultores, a demanda global perdeu tração, e o que se tem observado é um comportamento defensivo, cauteloso e seletivo por parte dos compradores”, afirma Pernías.
De acordo com a análise, nem mesmo a queda observada nos preços da ureia foi suficiente para estimular novas compras no mercado brasileiro. Desde o pico registrado em meados de abril, as cotações do produto recuaram cerca de 32%, o equivalente a mais de US$ 250 por tonelada.
“Contudo, nem mesmo a desvalorização gradual observada nos preços da ureia tem sido suficiente para estimular o apetite comprador dos brasileiros. Desde o pico de preço desse produto, registrado em meados de abril, houve uma queda de 32% nas cotações da ureia, mas essa retração, que ultrapassa US$ 250 por tonelada, ainda não destravou as compras no Brasil”, destaca o analista.
Apesar do ritmo mais lento das importações de fertilizantes nitrogenados, alguns produtos registraram crescimento nas compras externas. Conforme a avaliação da StoneX, os volumes importados de sulfato de amônio e de superfosfato triplo (TSP) superaram os registrados no ano passado, indicando a busca por alternativas diante das restrições de oferta e dos custos mais elevados no mercado internacional.
“É relevante notar, ainda no que tange às importações, que os últimos meses mostram volumes de sulfato de amônio e de TSP superiores aos observados em 2025. Isso sugere que, diante de um cenário desafiador no mercado global, os importadores brasileiros têm buscado alternativas que, a depender das condições, podem oferecer um custo-benefício mais atrativo ou maior facilidade de aquisição, diante de uma oferta reduzida”, observa Pernías.
Segundo os dados apresentados pelo especialista, as importações de sulfato de amônio acumulam crescimento superior a 15% em relação ao ano passado, enquanto as compras de TSP avançaram 47% no mesmo período.
Mesmo diante do cenário atual, a expectativa é de que as importações de fertilizantes nitrogenados ganhem força nos próximos meses. A análise da StoneX aponta que, historicamente, as compras desse grupo de produtos aumentam a partir de junho, acompanhando a recomposição de estoques para a safrinha e o avanço das demandas do segundo semestre.
“De todo modo, a média histórica das importações de fertilizantes pelo Brasil aponta que as compras de nitrogenados costumam ganhar tração a partir de junho e que, com o passar do segundo semestre, as aquisições desse tipo de fertilizante tendem a crescer gradualmente, à medida que os importadores avançam na recomposição de estoques para a safrinha”, conclui Pernías.