Ureia cai pela quinta semana nos portos
Retração da demanda global tem pressionado os preços do insumo
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As cotações da ureia nos portos brasileiros registraram queda pela quinta semana consecutiva, em meio à demanda enfraquecida no mercado internacional de fertilizantes nitrogenados. A avaliação é do analista de inteligência de mercado da StoneX, Tomás Pernías.
Segundo Pernías, a retração da demanda global tem pressionado os preços do insumo. “A demanda por nitrogenados está extremamente enfraquecida no mercado internacional. Esse cenário de baixo ímpeto comprador tem pressionado os preços da ureia para baixo e, pela quinta semana consecutiva, essas cotações diminuíram nos portos do Brasil”, afirmou.
De acordo com o analista, a ureia é atualmente negociada abaixo de US$ 635 por tonelada no mercado brasileiro, o que representa uma redução de 20% em relação ao pico registrado há algumas semanas. Apesar disso, os preços seguem acima do patamar observado antes do início do conflito no Oriente Médio.
“Contudo, mesmo com essa redução dos preços, a ureia permanece 32% acima dos níveis registrados no pré-conflito. Isso sinaliza que, apesar de uma demanda extremamente enfraquecida, os preços ainda encontram algum suporte devido aos constrangimentos globais, especialmente em função dos entraves logísticos atuais e da redução de oferta no mercado internacional”, explicou Tomás Pernías.
O analista destacou ainda que as incertezas no mercado internacional seguem limitando quedas mais acentuadas. “É justamente esse cenário de turbulência no mercado internacional, com os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que tem impedido que as cotações registrem quedas mais acentuadas nas últimas semanas”, disse.
Mesmo com a redução recente dos preços, Pernías avalia que os compradores brasileiros seguem cautelosos nas negociações. “É importante apontar que, mesmo com essa redução das cotações no Brasil e em diversos outros mercados, os compradores ainda não se sentem estimulados a realizar suas negociações”, observou.
Segundo ele, as relações de troca continuam desfavoráveis para os produtores, o que reduz o interesse em antecipar aquisições. “Por enquanto, as relações de troca permanecem nos piores níveis dos últimos anos, e não há incentivo para que os compradores antecipem suas compras”, afirmou.
Diante desse cenário, produtores têm priorizado fertilizantes de menor concentração. “Dessa forma, a postura mais adotada pelos compradores brasileiros neste momento tem sido defensiva: postergar as compras e priorizar produtos de menor concentração, como o sulfato de amônio, por exemplo”, acrescentou o analista da StoneX.
Pernías ressaltou ainda que a pressão de baixa está concentrada no segmento de nitrogenados. “Ademais, é importante considerar que essa pressão baixista nos preços, por enquanto, está limitada ao segmento dos nitrogenados. Entre os fosfatados, cujos preços aumentaram significativamente desde o início do conflito, as cotações permanecem, em larga medida, firmes, apesar da fraqueza da demanda já mencionada”, concluiu.