Foto: Canva
A perspectiva para o trigo dos EUA na safra 2026/27 aponta para menor oferta e estoques finais, enquanto as projeções de consumo interno e exportações permanecem inalteradas. Segundo dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção norte-americana foi revisada para 1,531 bilhão de bushels, com impacto da redução da área colhida e da produtividade.
A estimativa de produção de trigo dos EUA foi reduzida em 5 milhões de bushels em relação à previsão anterior, para 1,531 bilhão de bushels. As variedades Hard Red Winter e Durum concentram a maior parte das reduções realizadas neste mês.
Com a menor oferta, a projeção de estoques finais para a safra 2026/27 caiu em 5 milhões de bushels, para 717 milhões. Segundo dados divulgados pelo USDA, o volume representa uma redução de 22% em relação ao ano anterior. O preço médio projetado ao produtor norte-americano também foi elevado. A estimativa passou de US$ 6,00 para US$ 6,20 por bushel, alta de US$ 0,20.
Segundo dados divulgados pelo USDA, a revisão reflete a menor relação estoque/consumo e as expectativas para os preços futuros e à vista (cash prices) no restante do ano comercial.
No cenário mundial, a perspectiva para o trigo na safra 2026/27 aponta para maior oferta, consumo ligeiramente superior, comércio menor e estoques finais mais elevados. A oferta global foi projetada em 1.099,5 milhões de toneladas, aumento de 0,5 milhão de toneladas. Segundo dados divulgados pelo USDA, os estoques iniciais mais elevados compensaram com folga a redução da produção.
A produção foi revisada para baixo na União Europeia, no Reino Unido e no Brasil. Na UE e no Reino Unido, temperaturas prolongadas acima da média durante o verão, na fase de enchimento dos grãos, prejudicaram a produtividade.
O consumo mundial foi elevado em 0,1 milhão de toneladas, para 826,3 milhões de toneladas. O aumento ocorreu porque o maior uso para ração e resíduos compensou amplamente a redução destinada à alimentação humana, sementes e fins industriais.
O uso de trigo para ração e resíduos aumentou principalmente na União Europeia, onde a utilização do cereal na alimentação animal foi ampliada diante de novas restrições na oferta de milho. Já o comércio mundial foi reduzido em 0,3 milhão de toneladas, para 212,7 milhões de toneladas.
Segundo dados divulgados pelo USDA, a revisão reflete principalmente a redução das exportações da Rússia e da Ucrânia, parcialmente compensada pelo aumento dos embarques do Canadá e do Cazaquistão. As exportações russas e ucranianas foram reduzidas devido a interrupções logísticas provocadas pela intensificação do conflito entre os dois países no Mar de Azov e no Mar Negro.
Apesar da redução no comércio, a projeção para os estoques finais globais de trigo em 2026/27 aumentou em 0,4 milhão de toneladas, para 273,3 milhões de toneladas. Segundo dados divulgados pelo USDA, os aumentos projetados para Ucrânia e Rússia compensaram amplamente as reduções estimadas para Indonésia, Austrália e diversos outros países.