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Uso de coprodutos da macaúba para produção de energia

O óleo extraído da polpa, com maior potencial para a fabricação de biodiesel


Palmeira nativa das florestas tropicais, a macaúba apresenta grande dispersão no Brasil e em países vizinhos, como Colômbia, Bolívia e Paraguai. No Brasil ocorrem povoamentos naturais em quase todo território, mas as maiores concentrações estão localizadas em Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sendo amplamente espalhados pelas áreas de Cerrado. No programa Prosa Rural desta semana, o pesquisador da Embrapa Agroenergia (Brasília/DF) Alexaandre Alonso Alves e o professor da Universidade Federal de Viçosa, Sérgio Motoike, falam sobre o potencial da macaúba como matéria-prima para a produção do biodiesel e outros fins.

Segundo Alexandre Alves, a macaúba possui várias aplicações, principalmente no aproveitamento de seus frutos. A polpa, por exemplo, é comestível, podendo ser consumida in natura ou utilizada para a fabricação de doces. A casca, por sua vez, pode ser aproveitada para fabricação do carvão vegetal. Já a amêndoa, por ter alto valor proteico, também tem uso alimentício.

“Entretanto, a propriedade oleaginosa dos frutos é que vem atraindo mais atenção. A macaúba tem um dos maiores potenciais de produção, com perspectivas de produzir, em média, 4 mil quilos de óleo por hectare. Essa característica torna a macaúba uma espécie de grande potencial para a produção do biodisel”, explica o pesquisador durante sua participação no Prosa Rural.

Ele ressalta que outro fator atrativo da macaúba é o fato de esta palmácea ser produtiva por vários anos, com estimativas de até 50 anos, o que representa uma fonte de renda a longo prazo para os produtores.

O óleo extraído da polpa, com maior potencial para a fabricação de biodiesel, é dominado por ácido oléico (53%) e palmítico (19%) e tem boas características para o processamento industrial, mas apresenta sérios problemas de perda de qualidade com o armazenamento. Assim como ocorre com o dendê, os frutos devem ser processados logo após a colheita, pois se degradam rapidamente, aumentando a acidez e prejudicando a produção do biocombustível.

Por isso, o pesquisador aconselha os produtores se organizarem em associações ou cooperativas para a instalação de unidades de esmagamento das matérias-primas. "Isso garantiria que o óleo produzido naquela região por diversos produtores tivesse qualidade suficente para a produção do biodiesel”, destaca Alves durante sua participação no programa.

O Prosa Rural é o programa de rádio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que vai ao ar em mais de 1000 emissoras em todo o Brasil. O programa conta, ainda, com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

Texto: Maria Clara Guaraldo
Unidade: Embrapa Agroenergia
 
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