Uso de coprodutos da macaúba para produção de energia
O óleo extraído da polpa, com maior potencial para a fabricação de biodiesel
Segundo Alexandre Alves, a macaúba possui várias aplicações, principalmente no aproveitamento de seus frutos. A polpa, por exemplo, é comestível, podendo ser consumida in natura ou utilizada para a fabricação de doces. A casca, por sua vez, pode ser aproveitada para fabricação do carvão vegetal. Já a amêndoa, por ter alto valor proteico, também tem uso alimentício.
“Entretanto, a propriedade oleaginosa dos frutos é que vem atraindo mais atenção. A macaúba tem um dos maiores potenciais de produção, com perspectivas de produzir, em média, 4 mil quilos de óleo por hectare. Essa característica torna a macaúba uma espécie de grande potencial para a produção do biodisel”, explica o pesquisador durante sua participação no Prosa Rural.
Ele ressalta que outro fator atrativo da macaúba é o fato de esta palmácea ser produtiva por vários anos, com estimativas de até 50 anos, o que representa uma fonte de renda a longo prazo para os produtores.
O óleo extraído da polpa, com maior potencial para a fabricação de biodiesel, é dominado por ácido oléico (53%) e palmítico (19%) e tem boas características para o processamento industrial, mas apresenta sérios problemas de perda de qualidade com o armazenamento. Assim como ocorre com o dendê, os frutos devem ser processados logo após a colheita, pois se degradam rapidamente, aumentando a acidez e prejudicando a produção do biocombustível.
Por isso, o pesquisador aconselha os produtores se organizarem em associações ou cooperativas para a instalação de unidades de esmagamento das matérias-primas. "Isso garantiria que o óleo produzido naquela região por diversos produtores tivesse qualidade suficente para a produção do biodiesel”, destaca Alves durante sua participação no programa.
O Prosa Rural é o programa de rádio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que vai ao ar em mais de 1000 emissoras em todo o Brasil. O programa conta, ainda, com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).
Texto: Maria Clara Guaraldo
Unidade: Embrapa Agroenergia