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Uso inadequado de herbicida e falha no manejo da água são as principais causas de perda de controle de plantas daninhas no arroz irrigado

Engenheiro agrônomo Luciano Terra Homem aponta os erros mais comuns


Foto: Agrolink

Produtores de arroz irrigado no Sul do Brasil enfrentam, a cada safra, um problema recorrente: a presença de plantas daninhas mesmo após a aplicação de herbicidas. O engenheiro agrônomo Luciano Terra Homem aponta que os erros mais comuns não estão no produto em si, mas na forma como ele é usado — e o alerta é especialmente válido para o período de maio a dezembro de 2026, que abrange planejamento, semeadura e boa parte do ciclo das lavouras na região. Segundo Terra Homem, as falhas mais frequentes começam antes mesmo da pulverização. "Os erros mais comuns seriam a irrigação muito lenta, a aplicação do defensivo com a invasora fora do estádio — já bem desenvolvida — e a pulverização em horário inadequado, com temperatura alta ou baixa. Isso tudo interfere na ação do produto", afirmou.

Doses inadequadas por erro de calibração ou tentativa de economia, volume de calda insuficiente, cobertura de folhas deficiente, uso repetitivo dos mesmos mecanismos de ação e falta de rotação de culturas também figuram entre os principais fatores que levam ao fracasso do controle — mesmo quando o herbicida é aplicado no momento certo.

No arroz irrigado, há uma janela específica em que a presença do mato causa o maior estrago na produtividade. Terra Homem explica que esse momento coincide com o estabelecimento da cultura. "O período crítico seria quando ela inicia a absorção de nutrientes via raiz. Esse reflexo vai aparecer na fase reprodutiva, onde a planta responderá com um menor número de grãos, uma panícula menor e um grão mais leve", disse.

O período crítico vai da emergência até a fase de perfilhamento intenso. Se a lavoura permanecer limpa nesse intervalo, as perdas tendem a ser muito menores, mesmo que ocorram rebrotas leves mais tarde. Dois momentos são especialmente sensíveis: a pré-emergência ou pós-emergência inicial, logo após a semeadura, e a pré-inundação — quando a entrada da lâmina de água deve estar coordenada com o controle das principais plantas daninhas.

A lâmina de água é uma característica singular do arroz irrigado e pode ser uma aliada poderosa no controle do mato, mas apenas quando bem manejada. Lâminas irregulares, com secas e reenchimentos frequentes, favorecem novos fluxos de emergência de daninhas e comprometem a uniformidade do controle. O manejo da irrigação, portanto, deve ser tratado como parte integrante da estratégia de controle — não apenas como fornecimento de água à cultura.

Outro ponto crítico é o risco crescente de resistência. O uso repetido dos mesmos herbicidas ao longo das safras é uma das principais ameaças à eficiência do controle no Sul do Brasil. Terra Homem descreve como o produtor percebe essa mudança no comportamento das daninhas. "A percepção acontece normalmente quando se notam plantas que permanecem intactas após a aplicação por mais de uma safra. Mesmo aumentando a dose na safra seguinte, se elas continuam, já é um sinal claro de resistência", explicou. A orientação é rotacionar princípios ativos e intensificar o uso de produtos pré-emergentes.

Para áreas que já convivem com alta infestação, Terra Homem aponta o caminho. "Uma solução seria a rotação de culturas — com soja, com milho, dependendo do tipo de solo, ou uma pastagem bem conduzida para integrar com a pecuária. Mas cada produtor deve entender o seu problema, o que tem na sua propriedade, qual é a sua deficiência, para encontrar a alternativa que melhor se adeque à sua realidade. A agricultura não é uma receita de bolo", afirmou.

Sobre as perspectivas para os próximos anos, o agrônomo reconhece o potencial das novas tecnologias, mas faz uma ressalva. "Produtos com moléculas novas e variedades com genes modificados chegam para somar. Mas todas essas ferramentas devem ser usadas de maneira correta, como mandam as recomendações, para que não se percam como já aconteceu no passado", alertou, citando o caso do Arroz CL — tecnologia adotada em larga escala e perdida rapidamente pelo uso inadequado.

O controle de plantas daninhas no arroz irrigado exige uma abordagem integrada, que combine escolha correta do herbicida, timing preciso de aplicação, manejo adequado da lâmina de água, rotação de mecanismos de ação e práticas culturais que reduzam o banco de sementes no solo ao longo das safras.

Leia a entrevista com Luciano Terra Homem

Portal Agrolink: Quais são os erros mais comuns que fazem o controle de plantas daninhas falhar no arroz irrigado, mesmo quando o produtor usou herbicida?

Luciano Terra Homem: Os erros mais comuns seriam a irrigação muito lenta, a aplicação do defensivo com a invasora fora do estádio — já bem desenvolvida — e a pulverização em horário inadequado, com temperatura alta ou baixa. Tudo isso interfere na ação do produto.

Portal Agrolink: Qual é o período mais crítico de competição entre o arroz e as plantas daninhas?

Luciano Terra Homem:  O período crítico seria no estabelecimento da cultura, quando ela inicia a absorção de nutrientes via raiz. Esse reflexo vai aparecer na fase reprodutiva, onde a planta responderá com um menor número de grãos, uma panícula menor e um grão mais leve.

Portal Agrolink: Como o produtor percebe, na prática, que uma espécie daninha está ficando resistente ao herbicida?

Luciano Terra Homem:  A percepção acontece normalmente quando se notam plantas que permanecem intactas após a aplicação por mais de uma safra. Mesmo aumentando a dose na safra seguinte, se elas continuam, já é um sinal claro de resistência. Uma prática recomendada seria a rotação de princípios ativos e a intensificação do uso de produtos pré-emergentes.

Portal Agrolink: Para um produtor que já convive com alta infestação, qual é o caminho mais realista para reverter esse cenário?

Luciano Terra Homem: Uma solução seria a rotação de culturas — com soja, com milho, dependendo do tipo de solo, ou uma pastagem bem conduzida para integrar com a pecuária. Mas cada produtor deve entender o seu problema, o que tem na sua propriedade, qual é a sua deficiência, para encontrar a alternativa que melhor se adeque à sua realidade. A agricultura não é uma receita de bolo.

Portal Agrolink: Como você enxerga as inovações capazes de reduzir as falhas de controle no arroz irrigado nos próximos anos?

Luciano Terra Homem:  Produtos com moléculas novas e variedades com genes modificados chegam para somar, assim como as pesquisas que continuam sendo feitas. Mas todas essas ferramentas devem ser usadas de maneira correta, como mandam as recomendações, para que não se percam como já aconteceu no passado. Um exemplo disso foi o Arroz CL, que foi usado em larga escala e essa tecnologia se perdeu muito rapidamente.

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