A Companhia Vale do Rio Doce vai investir em 2004 US$ 6 milhões na ampliação da capacidade de armazenagem do Porto Seco do Cerrado, antiga Estação Aduaneira do Interior (Eadi) de Uberlândia. O investimento faz parte de um acordo que está em fase de finalização para viabilizar a logística de exportação de 60 mil toneladas de algodão em 2004. O acordo está sendo discutido com o grupo Maeda, de Itumbiara, que é considerado o maior exportador nacional de algodão.
O novo investimento confirma as expectativas de que o País entrou definitivamente na disputa pelo mercado de exportação do algodão. Para este ano a previsão é que o Brasil exporte 400 mil toneladas do produto, o que representa quatro vezes mais o volume das operações realizadas em 2003. Ainda no ano passado, as exportações do grupo Maeda somaram cerca de 12 mil toneladas de algodão, ou seja, um quinto do que a empresa pretende embarcar até dezembro. "O porto de Uberlândia tem potencial para chegar a 95 mil toneladas de algodão exportadas, somando o volume de outros clientes da região do Triângulo e Centro Oeste", aponta o gerente da área intermodal de logística da Vale, Marcello Spinelli. Ele explica que o crescimento no mercado de algodão também está atraindo a atenção de outros exportadores que negociam para usar o porto seco. "Além da facilidade nos trâmites burocráticos, a armazenagem em depósito alfandegado permite ao exportador o recebimento antecipado de valores de exportação pelo fato de ter o certificado de que o produto está em local seguro e de qualidade", completa.
A Vale do Rio Doce administra o Porto Seco do Cerrado, bem como os portos de Santos e Vitória, que são os principais pontos de embarque das mercadorias. O gerenciamento logístico do porto seco compreende no recebimento, armazenagem, controle de estoque, liberação da carga e operação integrada ferrovia e porto. Hoje a capacidade de armazenagem é de 25 mil toneladas de uma só vez, número que pode chegar a 30 mil toneladas. Segundo Marcello Spinelli, o acordo com o grupo Maeda deve ser fechado até o fim do mês, com os primeiros investimentos acontecendo de imediato em máquinas, equipamentos e mão-de-obra. A safra do algodão começa em junho e vai até o fim do ano. Além do algodão, o café e o couro estão entre os principais produtos exportados a partir do Porto Seco do Cerrado. Já as operações de importação também têm como carro-chefe os produtos ligados ao agro-negócio, incluindo maquinário, além de mercadorias adquiridas pelos atacadistas da região.