CI

Vapor elimina pragas e doenças do solo

Produtores de flores testam com sucesso o uso de vapor de água no solo em substituição a gás altamente tóxico


Produtores de flores e plantas ornamentais estão conseguindo, com uma alternativa simples, substituir o gás brometo de metila, utilizado para eliminar microrganismos do solo, mas de uso proibido desde 1º de janeiro deste ano, pela sua toxicidade ao ser humano e ao ambiente. A solução consiste na vaporização de água quente durante o preparo da terra, matando microrganismos apenas com calor, sem risco ambiental e para quem aplica.

O equipamento inclui uma caldeira à lenha e um injetor. Da caldeira, onde a água é aquecida, o vapor é conduzido por uma mangueira de lona reforçada até o injetor, que possui dentes furados por onde sai o vapor. Acoplada ao injetor vai uma lona, que, conforme o injetor se desloca pelo canteiro, cobre a área vaporizada, garantindo aplicação e efeito uniformes.

A vaporização exige lenha, água e energia elétrica e é feita a uma temperatura de até 120 graus. "Conseguiremos eliminar o consumo de toneladas de brometo", diz o agrônomo Gustavo de Angeli Ferreira, responsável pelo Sítio Três Rios, em Holambra (SP), que possui 10 hectares com cultivos de gérbera, tango e celósia. O sítio foi um dos escolhidos do Programa Nacional de Eliminação de Brometo de Metila (PNB), junto com outros 26 produtores de São Paulo e Pernambuco para testar o equipamento.

"A tecnologia é da Embrapa, mas o projeto foi financiado por outros países, dentro de um programa mundial de preservação da camada de ozônio", explica o agrônomo Cesar Mauricio Torres Martinez, diretor-técnico do PNB Flores. Em 2003, foram consumidas no País 260 toneladas do gás na produção agrícola.

"O brometo de metila mata não só patógenos que prejudicam a produção, mas todos os microrganismos da terra. Bactérias fixadoras de nitrogênio, úteis ao solo, por exemplo, são eliminadas", conta Ferreira. "Com o vapor, bactérias boas sobrevivem." Segundo Martinez, o brometo deixa um "vácuo biológico", pois mata insetos, patógenos (nematóides, fungos e bactérias) e ervas daninhas.

Martinez explica que já se utiliza o vapor para desinfetar o solo, mas de forma ineficiente. "A terra é coberta por lona e o produtor injeta vapor. O problema é que o vapor não penetra no solo, pois isso contraria a lei da física. Pela tecnologia que adota o injetor, o vapor age de baixo para cima."

Outra opção ao brometo de metila é o coletor solar, usado no manejo de substratos, em que a terra é forrada com lona plástica e exposta ao sol. O calor, então, desinfeta misturas de solo e ajuda a produzir mudas saudáveis.

Pronta em dois dias

Martinez calcula que a vaporização proporcione uma economia de 50% para o produtor em relação ao brometo de metila. "A injeção de vapor trata 100 metros quadrados de solo/hora. Após dois dias, a área está pronta para o plantio. Cada equipamento custa cerca de R$ 80 mil", diz Martinez.

Pelo programa, os produtores usarão o vaporizador por dois anos. Se após esse tempo não for constatada a presença de brometo na plantação, o equipamento passa a ser do produtor. "Será feito acompanhamento técnico", explica.

A proibição do brometo de metila está na Instrução Normativa nº 1, de 10/9/2002, do Ministério da Agricultura, Ibama e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7