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Várzeas do Tocantins: Grande potencial para a produção de Feijão


Amanhã, dia 16 de agosto, na Fazenda Barreira da Cruz, em Lagoa da Confusão (TO), técnicos da Embrapa realizam dia de campo para mostrar a potencialidade das várzeas do Vale do Araguaia para a produção de feijão, com o uso de práticas adaptadas ao sistema.

É conhecido o êxito das várzeas do Tocantins na produção de arroz irrigado, no verão, e de soja, milho, algodão, tomate industrial, melancia, etc., irrigadas por subirrigação, no inverno. Nos dias de hoje é, inegavelmente, a produção de sementes de soja e de melancia, de maior relevância e de reconhecimento nacional. Para isso, o avanço tecnológico na produção de sementes de soja, nas várzeas tropicais, quebrou verdadeiro paradigma, uma vez que até há pouco tempo atras, só se concebia sua produção, com qualidade, em regiões de altitude. Eis que agora, também começa a chegar a vez do feijão.

Em razão do clima, as épocas tradicionais de cultivo do feijão no Tocantins, no período das "águas" e/ou "da seca", têm se mostrado impróprias para o feijão, pela baixa rentabilidade apresentada. Pelo método da subirrigação no Vale do Araguaia, é possível tornar a exploração do feijoeiro economicamente viável em razão da redução no custo de produção, acima de 30%, quando comparado ao pivô-central, facilidade de operação do sistema de irrigação, colheita mecânica direta devido à alta inserção das vagens e áreas planas, para o abastecimento de grãos e produção de sementes para o país. Com a alternativa da produção de feijão naquele Vale, é possível regularizar o mercado da leguminosa em regiões tradicionalmente importadoras, caso do Tocantins e outros Estados, baixando o preço final do produto ao nível de consumidores. Na safra 2001, grande produtor de feijão, na Lagoa da Confusão, obteve média de produção de grãos próxima de 1,8 t/ha. Os resultados da pesquisa, apesar de recentes, permitem predizer potenciais de produtividade próximos de 3,0 t/ha.

É conhecida a produção de sementes de feijão, de alta qualidade, sob irrigação por infiltração nos EUA, em regiões secas ou semi-desérticas, sob altas temperaturas nos estados da Califórnia e Idaho. Esta produção de sementes abastece as regiões produtoras daquele país. No Brasil, a Embrapa Arroz e Feijão, antes da expansão dos pivôs, produzia sementes sadias de feijão através da irrigação por sulcos. Hoje, grande parte das áreas sob pivôs, na região Centro-Sul, encontra-se contaminada com doenças transmissíveis pela semente de feijão, tornando-se proibitiva a sua produção. As várzeas do Tocantins, irrigadas por subirrigação, podem se tornar vitais para a produção de sementes de feijão, pela alta qualidade do produto produzido. Devido a temperatura e umidade elevadas no período chuvoso, a região não é favorável para o armazenamento de sementes. O ideal, à exemplo do que já ocorre com a produção de sementes de soja, é que as sementes produzidas no Estado fossem transportadas, armazenadas e utilizadas nos Estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, que têm, atualmente, sérias limitações para a sua produção.

O agricultor que adquire sementes tem o direito de ver garantidos os recursos e o tempo investidos na execução das tarefas de produção que vão da semeadura até à colheita. Assim, após o plantio, deverão resultar plantas sadias e vigorosas, com características fiéis à espécie e à cultivar. Portanto, não apenas o patrimônio genético da cultivar deve estar assegurado, mas também a pureza física, a qualidade fisiológica e o estado sanitário das sementes.

Uma semente de qualidade, além do potencial genético da cultivar, de suas características físicas e fisiológicas, deverá estar isenta de patógenos – bactérias, fungos, vírus – que afetam a emergência, o vigor da plântula, e constituem-se em focos de disseminação de doenças na lavoura.

O feijoeiro comum é hospedeiro de várias bactérias fitopatogênicas, fungos e vírus transmitidos pela semente. A água da chuva ou a proveniente da irrigação por aspersão favorecem a disseminação na lavoura, principalmente da antracnose e do crestamento bacteriano comum, duas das principais doenças do feijoeiro.

A multiplicação de sementes na entressafra do arroz, pelo método da subirrigação, nas várzeas do Tocantins, onde a alta temperatura e a baixa umidade desfavorecem a antracnose e a ausência de água na folhagem o crestamento bacteriano comum, podem assegurar a obtenção de sementes de feijão de alta qualidade sanitária, fisiológica e genética para o país.

Pesquisadores Homero Aidar e João Kluthcouski, da Embrapa Arroz e Feijão

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