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Veranicos e seca: El Niño coloca safra de soja de MT sob alerta

Fenômeno pode reduzir em 5% a produção de soja em MT


Foto: Arquivo Agrolink

A confirmação do El Niño no Oceano Pacífico Equatorial pela Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) coloca em xeque a safra 2026/27 de soja em Mato Grosso. Segundo o boletim semanal divulgado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta semana, a produção estadual está estimada em 48,88 milhões de toneladas para o próximo ciclo — recuo de 5,20% em relação à temporada anterior.

De acordo com o levantamento do Imea, o fenômeno climático altera a distribuição das chuvas entre as regiões produtoras do Brasil, favorecendo o acúmulo de precipitações no Sul e aumentando a irregularidade no Centro-Oeste, Norte e Matopiba. Em Mato Grosso, principal estado produtor de soja do país, o El Niño tende a ampliar o risco de veranicos e déficit hídrico ao longo do ciclo da cultura, com impacto direto sobre a semeadura e o desenvolvimento das lavouras.

Segundo dados divulgados pelo Imea, o cenário climático adverso eleva o risco de perdas de produtividade e, consequentemente, de redução no volume total de grãos. A estimativa de produtividade para a safra 26/27 está fixada em 62,44 sc/ha, sobre uma área projetada de 13,05 milhões de hectares no estado. O instituto ressalva, no entanto, que a concretização desse cenário dependerá da intensidade do fenômeno ao longo da safra.

No mercado, os preços da soja em Mato Grosso registraram valorização na semana. De acordo com o Imea, o Indicador IMEA avançou 0,87% em relação à semana anterior, encerrando o período com média de R$ 106,73 por saca — o maior valor observado desde o início do ano. No mercado internacional, impulsionado pelas expectativas de compras chinesas de soja norte-americana, o contrato corrente na CME-Group subiu 0,88%, fechando em média de US$ 11,26/bu. O Prêmio Santos registrou o maior salto semanal entre os indicadores acompanhados pelo boletim, com alta de 10,84%, encerrando o período na média de ¢US$ 103,75/bu — reflexo da maior demanda de grãos nos portos brasileiros.

Já nos coprodutos, segundo dados do Imea, o mercado apresentou movimentos distintos. Internacionalmente, o farelo de soja valorizou 0,61%, com preço médio de US$ 303,59/t, enquanto o óleo de soja recuou 3,25%, para US$ 72,28/lb — movimento influenciado pela queda de 12,35% nos preços do petróleo Brent após o anúncio de acordo entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz. Em Mato Grosso, os coprodutos seguiram trajetória baixista: o farelo de soja caiu 0,70% na comparação semanal, sendo cotado em média a R$ 1.535,00/t, e o óleo de soja recuou 0,20%, fechando em média a R$ 5.871,60/t. Segundo o instituto, a desvalorização do dólar frente ao real e a demanda enfraquecida mantiveram as cotações pressionadas no estado ao longo do período.

A comercialização da safra 25/26 em Mato Grosso atingiu 81,04% em junho, segundo o Imea. Para a safra seguinte, 26/27, o índice de comercialização alcançou 18,49% no mesmo período.

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