Vespa é vilã da lagarta-do-cartucho
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Imagem: Eliza Maliszewski
BIOLÓGICO

Vespa é vilã da lagarta-do-cartucho

Método elimina uso de defensivos químicos e mantém a produtividade das lavouras
Por: -Eliza Maliszewski

Produtores de Abaeté, região Central de Minas Gerais, estão experimentando o controle biológico para combater a principal praga das lavouras de milho e sorgo. Há dois anos eles usam uma pequena vespa para atacar a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). 

O trabalho é uma parceria entre Emater-MG, Embrapa, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Sicoob Credioeste. No município a base da economia é a pecuária leiteira e as lavouras de milho e sorgo são fundamentais para produzir alimento para o gado, como a silagem. A ideia é que os produtores conheça o controle biológico. A técnica permite eliminar a praga sem aplicar defensivos, reduzindo os custos de produção e mantendo a produtividade.

Como funciona

Primeiro e preciso fazer o monitoramento, com instalação de armadilhas com feromônio sintético na área plantada. A partir do momento que se encontram três mariposas na armadilha, é sinal que a praga está na área. Então já é preciso entrar com o controle biológico. 

O método consiste em povoar a lavoura com a vespinha Trichogramma. As vespinhas parasitam os ovos da mariposa da lagarta do cartucho antes delas nascerem. “Por isso é fundamental saber o momento certo de fazer o controle”, explica o técnico da Emater-MG, Fernando César Couto.

A soltura da vespinha é feita espalhando os ovos do inseto pela área plantada. Eles são produzidos em biofábricas. O produtor recebe uma cartela de material biodegradável, com centenas de ovos. Os pedaços da cartela são distribuídos pelo solo, de acordo com a recomendação dos técnicos.  Ao nascerem, as vespinhas procuram pelos ovos da lagarta do cartucho.

“A grande vantagem da vespinha é que ela é muito específica, rapidamente encontra o ovo da praga, e não prejudica os outros insetos do ambiente. Isso é importante, pois não estamos colocando nada de anormal na natureza”, explica o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Ivan Cruz.

Exemplo

Uma unidade demonstrativa deste método foi implantada na fazenda São Simão de Baixo, no mesmo município, para que outros produtores da região pudessem conhecer o sistema. 

Em uma área de 2,7 hectares, na safra 2019/2020, foi plantado sorgo para silagem consorciado com capim. Todo o processo foi seguido, com instalação de armadilhas, monitoramento e soltura das vespinhas no momento certo.

No final do processo, os técnicos observaram que os estragos feitos pela praga atingiram menos de 10% das plantas. “Este percentual estava abaixo do nível de dano econômico, diferentemente de outras lavouras da região que utilizaram controle convencional, com o uso de inseticidas químicos específicos, e que chegaram a ter 70% das plantas atacadas”, afirma o técnico da Emater- MG.

Agora, na safra 2020/2021, a produtora plantou milho na mesma área. E desta vez, não precisou nem soltar mais vespinhas, pois o local já está povoado de inimigos naturais da lagarta do cartucho.

Além da lagarta do cartucho, o controle biológico também está ajudando a combater o pulgão, outra praga das lavouras. Sem a aplicação de defensivos químicos por causa do controle biológico, a entomofauna (conjunto de insetos de uma região) está sendo preservada, mantendo insetos que ajudam no combate às pragas.
 


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