A redução dos juros na economia brasileira é uma necessidade, sem dúvida. Convivemos com juros acima de 180% ao ano no cheque especial, acima de 230% no cartão de crédito e mesmo acima de 40% no crédito pessoal, sem falar de outros absurdos. Enquanto isso, nossa inflação oficial, medida pelo IPCA, terminou 2011 em 6,5% ao ano, tendo recuado nesses primeiros três meses de 2012 para 5,24% anualizados.
E não há nenhuma justificativa plausível, a não ser o lucro desmesurado, para que o sistema financeiro aplique juros desta envergadura. Mesmo a inadimplência, que tem crescido nestes últimos meses, não justifica o tamanho da “obra”. O problema é que a pressão pela baixa dos juros acontece de forma artificializada no Brasil, nesse momento.
Não se trata de reformas estruturais e condições de longo prazo criadas com sustentabilidade a razão da baixa dos juros no momento. Infelizmente, ela ocorre por decisão do governo, usando os bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa Federal), quase que por “decreto”. Tanto é verdade que outros mecanismos de compensação das perdas estão sendo criados e camuflados aos consumidores pelo sistema bancário.
Além disso, os bancos privados ainda não entraram no jogo, exigindo contrapartida do governo em caso de perdas, como é típico de um sistema financeiro subdesenvolvido como o nosso, onde jamais o mesmo assume algum risco nos investimentos de que participa. Nessa lógica, Banco do Brasil e Caixa Federal somente entraram no jogo sob pressão oficial e, assim mesmo, lidam com recursos públicos o que, na pior das hipóteses, os deixa na situação extrema de “tanto faz de der ou não prejuízo”.
A idéia é essa mas a forma está errada (II)
Tal ação oficial nos remete a dois alertas e uma constatação. O primeiro alerta é que todas as experiências de controlar aspectos da economia sob “decreto” nunca duram muito tempo. No Brasil, temos exemplos claros disso: a) baixar a inflação via sistema de controle de preços – os mais antigos devem lembrar da Sunab – não só não resolve mas também, ao estourar o plano, a inflação vem ainda mais forte; b) controlar artificialmente o câmbio, como se tentou por um tempo na arrancada do Plano Real, e a Argentina perseguiu essa realidade por 10 anos, jamais dá resultados de longo prazo. No caso argentino, a crise que se seguiu ao estouro do sistema cambial, dura até hoje, alimentada por um governo inepto e populista.
O segundo alerta é que movimentos de intervenção pública, como essa nos juros, somente funcionam caso o mercado esteja convencido de que resultará em benefícios futuros e caso o governo trabalhe para que estruturalmente a economia caminhe para consolidar a iniciativa. Ora, no momento, nem uma nem outra possibilidade estão contempladas. Salvo engano, a estratégia falhará logo aí na frente. Isso será visto na prática, diante dos empecilhos que serão criados para se obter crédito facilitado a juros rebaixados.
A idéia é essa mas a forma está errada (III)
Quanto à constatação, o que temos é o governo, preocupado com a freada na economia nacional, iniciada em 2011, e com o consequente desemprego surgindo, gerando mais uma medida temporária (de apagar incêndio), usando o setor público para subsidiar uma tentativa de crescimento que deveria vir naturalmente pelas reformas estruturais que não acontecem. Dito de outra forma, a impressão que passa é que o governo finalmente percebeu que 2012 pode ser ainda mais difícil do que 2011, e que novamente o mercado interno, a qualquer custo, deve sustentar o crescimento, mesmo que pequeno, da economia.
A lógica e o alvo estão corretos, o problema é que a forma de fazê-lo está longe de ser adequada, pois não conseguimos gerar as condições estruturais para dar sustentação à estratégia. Pior ainda será se todo esse movimento vier baseado apenas nas eleições de outubro próximo e, por extensão, nas eleições presidenciais de 2014.
Compreende-se que o Brasil vive hoje uma utopia econômica que nos faz parecer um país economicamente mais forte do que realmente o é. Afinal, temos a quarta moeda mais forte do mundo na atualidade, nossos preços e custo de vida estão entre os mais caros do mundo (o Big Mac é o segundo mais caro do mundo e o iPhone é o mais caro do mundo, por exemplo), e os brasileiros inundam os mercados do primeiro mundo com seus gastos. Essa utopia se cristaliza pelo fato de que tal situação não é sustentável com a renda que temos.
Não podemos estar pagando mais caro até mesmo a comida, em relação aos países desenvolvidos na atualidade, com salários três vezes menores. É evidente que algo está muito errado e artificial no processo. Compreende-se, portanto, a necessidade de uma aterrissagem à realidade do país, porém, o sucesso da mesma não virá por medidas “decretadas” oficialmente, como está se verificando mais uma vez, agora com a tentativa de dominar os juros abusivos que temos.
E não há nenhuma justificativa plausível, a não ser o lucro desmesurado, para que o sistema financeiro aplique juros desta envergadura. Mesmo a inadimplência, que tem crescido nestes últimos meses, não justifica o tamanho da “obra”. O problema é que a pressão pela baixa dos juros acontece de forma artificializada no Brasil, nesse momento.
Não se trata de reformas estruturais e condições de longo prazo criadas com sustentabilidade a razão da baixa dos juros no momento. Infelizmente, ela ocorre por decisão do governo, usando os bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa Federal), quase que por “decreto”. Tanto é verdade que outros mecanismos de compensação das perdas estão sendo criados e camuflados aos consumidores pelo sistema bancário.
Além disso, os bancos privados ainda não entraram no jogo, exigindo contrapartida do governo em caso de perdas, como é típico de um sistema financeiro subdesenvolvido como o nosso, onde jamais o mesmo assume algum risco nos investimentos de que participa. Nessa lógica, Banco do Brasil e Caixa Federal somente entraram no jogo sob pressão oficial e, assim mesmo, lidam com recursos públicos o que, na pior das hipóteses, os deixa na situação extrema de “tanto faz de der ou não prejuízo”.
A idéia é essa mas a forma está errada (II)
Tal ação oficial nos remete a dois alertas e uma constatação. O primeiro alerta é que todas as experiências de controlar aspectos da economia sob “decreto” nunca duram muito tempo. No Brasil, temos exemplos claros disso: a) baixar a inflação via sistema de controle de preços – os mais antigos devem lembrar da Sunab – não só não resolve mas também, ao estourar o plano, a inflação vem ainda mais forte; b) controlar artificialmente o câmbio, como se tentou por um tempo na arrancada do Plano Real, e a Argentina perseguiu essa realidade por 10 anos, jamais dá resultados de longo prazo. No caso argentino, a crise que se seguiu ao estouro do sistema cambial, dura até hoje, alimentada por um governo inepto e populista.
O segundo alerta é que movimentos de intervenção pública, como essa nos juros, somente funcionam caso o mercado esteja convencido de que resultará em benefícios futuros e caso o governo trabalhe para que estruturalmente a economia caminhe para consolidar a iniciativa. Ora, no momento, nem uma nem outra possibilidade estão contempladas. Salvo engano, a estratégia falhará logo aí na frente. Isso será visto na prática, diante dos empecilhos que serão criados para se obter crédito facilitado a juros rebaixados.
A idéia é essa mas a forma está errada (III)
Quanto à constatação, o que temos é o governo, preocupado com a freada na economia nacional, iniciada em 2011, e com o consequente desemprego surgindo, gerando mais uma medida temporária (de apagar incêndio), usando o setor público para subsidiar uma tentativa de crescimento que deveria vir naturalmente pelas reformas estruturais que não acontecem. Dito de outra forma, a impressão que passa é que o governo finalmente percebeu que 2012 pode ser ainda mais difícil do que 2011, e que novamente o mercado interno, a qualquer custo, deve sustentar o crescimento, mesmo que pequeno, da economia.
A lógica e o alvo estão corretos, o problema é que a forma de fazê-lo está longe de ser adequada, pois não conseguimos gerar as condições estruturais para dar sustentação à estratégia. Pior ainda será se todo esse movimento vier baseado apenas nas eleições de outubro próximo e, por extensão, nas eleições presidenciais de 2014.
Compreende-se que o Brasil vive hoje uma utopia econômica que nos faz parecer um país economicamente mais forte do que realmente o é. Afinal, temos a quarta moeda mais forte do mundo na atualidade, nossos preços e custo de vida estão entre os mais caros do mundo (o Big Mac é o segundo mais caro do mundo e o iPhone é o mais caro do mundo, por exemplo), e os brasileiros inundam os mercados do primeiro mundo com seus gastos. Essa utopia se cristaliza pelo fato de que tal situação não é sustentável com a renda que temos.
Não podemos estar pagando mais caro até mesmo a comida, em relação aos países desenvolvidos na atualidade, com salários três vezes menores. É evidente que algo está muito errado e artificial no processo. Compreende-se, portanto, a necessidade de uma aterrissagem à realidade do país, porém, o sucesso da mesma não virá por medidas “decretadas” oficialmente, como está se verificando mais uma vez, agora com a tentativa de dominar os juros abusivos que temos.