2006 e a maior safra da história brasileira: quem ainda duvida da força do agronegócio?
Duas matérias no jornal Folha de São Paulo de 06.01.2005 ("Safra de 2006 pode ser maior da história" e "Agronegócio responde por 86% do superávit"), estampam a importância do agronegócio na economia brasileira e respondem a crítica de que o Governo deveria focar maior empenho no setor.
A primeira matéria, que é da Sucursal da FSP do Rio de Janeiro, indica que a safra brasileira de 2004 foi de 119,294 milhões de toneladas, a de 2005 foi de 112,715 milhões de toneladas e a previsão para 2006 é de 127,612 milhões de toneladas, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A queda da safra em 2005 se deu, principalmente, conforme o IBGE, devido à estiagem prolongada no ano, o que não deverá se repetir em 2006, excetuando-se pequenos focos, levando a crer na safra histórica para 2006, que indicaria uma alta de 13,22% na produção agrícola. Para se ter uma idéia da queda em 2005, nesse ano 6,5 milhões de toneladas de grãos deixaram de ser colhidas, sendo que as lavouras de milho e soja foram as mais afetadas pela estiagem nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Entretanto, tendo em vista a previsão de que a estiagem não se repetirá em 2006, a previsão é de que teremos em 2006 a maior safra da história brasileira.
Ano |
2004 |
2005 |
2006 |
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Safra em milhões de toneladas |
119,294 |
112,715 |
127,612 (previsão do IBGE) |
Já a segunda matéria, da Sucursal da FSP de Brasília, aponta que o agronegócio é grande motor propulsor da economia brasileira, uma vez que o setor responde por 86% do superávit registrado neste último ano. No ano de 2005, as exportações cresceram 11,76% e a importações, somente 6,19%. Levando em conta apenas o agronegócio, o saldo exportação-importação cresceu 12,54% em 2005 em relação a 2004, sendo que a exportação do setor subiu 11,8%. Note-se que esses dados foram conseguidos mesmo em um ano que dois fatores foram prejudiciais para a balança comercial: a questão da aftosa, que reduziu em 18% a venda de carne só entre setembro e dezembro e, como acima citado, o ano de 2005 ter sido um ano bastante fraco e de queda na produção agrícola brasileira.
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Crescimento na exportação em 2005 |
49,3% (com total de US$ 4,7 bilhões) |
31,2% (com um total de US$ 8,1 bilhões) |
- 5,7% (queda, com total de US$ 9,5 bilhões) |
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Produto |
Açúcar e álcool |
Carne |
complexo de soja |
A relação entre os dados é bem interessante: apesar de ter sido um ano de queda na produção, o agronegócio assume a responsabilidade por quase a totalidade do nosso superávit (86%). Diante dessa conclusão, quem duvida da força do agronegócio brasileiro?
O debate sobre se o foco de atuação do Estado brasileiro deve ser a indústria ao invés do agronegócio chega a ser até infantil. A força do agronegócio é inevitável e os dados são incontestáveis. Mesmo em um ano de queda na produção, o agronegócio responder pela grande parte do superávit é um grande indicador que o Estado deve se pautar na busca da expansão do setor, em seu crescimento.
Se não bastasse a análise puramente horizontal indicar pelas eficiências criadas, a cadeia vertical do agronegócio é riquíssima e, se considerados os efeitos sociais benéficos, principalmente, crescimento no nível de emprego e distribuição de renda, a atenção do Estado deveria ser redobrada no setor agrícola.
É comum a visão capenga do setor agrícola apenas como um setor de produção no campo. Entretanto, essa visão hoje é absurda, diante, não só da sua importância, mas do desenvolvimento do agronegócio. Para isso, basta ver, por exemplo, os dados do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) que, em 2005, financiou 18% a mais que em 2004, sendo que, dentre as linhas de crédito mais procuradas, as de aquisição de máquinas e tratores se destacaram. Ou seja, é a economia girando em torno do agronegócio, que não deve ser mais visto como a relação simples entre fazendeiro e trabalhador rural, mas também como o processo econômico vertido em todos os negócios que se destinam, direta e indiretamente, para a busca do desenvolvimento da produção, industrialização, transporte, e comercialização de produtos agropecuários, incluindo também as devidas e justas linhas de crédito especiais para financiamento de atividade de vital importância para o país.
A análise desses pontos é importante nesse período do ano em que se busca o planejamento da atividade empresarial – e assim da empresa agrária, a empresa agroindustrial.
Portanto, para 2006 a previsão é que o setor do agronegócio cresça inevitavelmente, seja diante do crescimento da safra, que pode ser histórica como a maior de todos os tempos, seja diante do papel que o setor assumiu no quadro da economia brasileira.
Que venha o novo ano e que venha com responsabilidade, porque é ano de eleição e todos temem pelo que pode acontecer em anos assim. Espera-se, repita-se, responsabilidade, para que 2006 seja realmente o ano da virada, porque a queda na produção em 2005 não pode se repetir.