Diante das informações desencontradas a respeito dos efeitos do atual preço da soja na economia familiar dos produtores que sofreram com a seca neste ano, passamos aqui a esclarecer alguns aspectos. Em primeiro lugar, a quebra da safra gaúcha foi grande. A percentagem final está se estabelecendo ao redor de 60%.
Em segundo lugar, essa quebra aumenta na medida em que parte dos grãos colhidos possui uma qualidade ruim, não sendo aceita pelas indústrias e, portanto, sendo direcionada para a ração animal. Em terceiro lugar, devido à quebra da safra na América do Sul, e outros fatores, o bushel de soja subiu 25% entre a média de dezembro/11 e os primeiros dias de abril/12. Isso e a ação do governo brasileiro sobre o câmbio, mantendo o Real ao redor de R$ 1,82, permitiu que os preços em reais, da oleaginosa, subissem significativamente nos últimos 60 dias (aproximadamente R$ 10,00/saco).
A partir dessa constatação, algumas confirmações objetivas. Em a quebra ficando em 60% (sem considerar a qualidade dos grãos) no Rio Grande do Sul, a safra final fica em 4,4 milhões de toneladas diante de uma expectativa de 11 milhões iniciais. Aos preços atuais de R$ 51,50/saco no balcão, isso resulta em um rendimento bruto total de R$ 3,8 bilhões.
Caso a safra tivesse sido cheia, pela tendência, o preço médio de balcão teria estacionado ao redor de R$ 41,00/saco. Ou seja, um total bruto de R$ 7,5 bilhões. Assim, as perdas brutas no Estado chegam a R$ 3,7 bilhões, considerando uma perda física de 60% e um aumento no preço de 25,6%
Ainda o preço da soja (II)
Como metodologia de cálculo, dentre outros aspectos, consideramos a média de Chicago em dezembro/11, que prevalecia como tendência em caso de safra cheia na América do Sul; prêmio médio em Rio Grande para abril/maio em safra normal; o mesmo câmbio de hoje – o governo iria igual realizar o movimento de proteção ao Real -, e ainda, algo menos provável, o mesmo percentual médio de descontos – custos e margens - aplicados pelas empresas compradoras na atualidade, ao redor de 13,5%.
Portanto, apesar do aumento nos preços, a quebra física está longe de ser compensada. Apenas o prejuízo foi um pouco aliviado pelo aumento dos preços. Além disso, outros aspectos merecem atenção: 1) no cenário de Chicago nos atuais níveis e câmbio ao sabor apenas do mercado – calcula-se um Real a R$ 1,40 nesse momento, sem a intervenção do governo – as perdas brutas subiriam a R$ 4,6 bilhões no Estado; 2) no cenário de Chicago nos atuais níveis e o câmbio na média de dezembro/11 (R$ 1,83), as perdas totais somariam os mesmos R$ 3,7 bilhões; 3) no pior dos cenários, com Chicago na média de dezembro/11 e o câmbio a R$ 1,40 (sem a ação do governo), as perdas totais chegariam a R$ 5,2 bilhões; 4) enfim, os R$ 51,50/saco de hoje não encontram comparação com o valor médio obtido em maio/04 (R$ 49,72/saco) em termos de poder de compra.
Considerando o IPCA do período, para a soja de hoje ter o valor real de oito anos atrás, o saco do produto teria que estar agora em R$ 75,00.
Em segundo lugar, essa quebra aumenta na medida em que parte dos grãos colhidos possui uma qualidade ruim, não sendo aceita pelas indústrias e, portanto, sendo direcionada para a ração animal. Em terceiro lugar, devido à quebra da safra na América do Sul, e outros fatores, o bushel de soja subiu 25% entre a média de dezembro/11 e os primeiros dias de abril/12. Isso e a ação do governo brasileiro sobre o câmbio, mantendo o Real ao redor de R$ 1,82, permitiu que os preços em reais, da oleaginosa, subissem significativamente nos últimos 60 dias (aproximadamente R$ 10,00/saco).
A partir dessa constatação, algumas confirmações objetivas. Em a quebra ficando em 60% (sem considerar a qualidade dos grãos) no Rio Grande do Sul, a safra final fica em 4,4 milhões de toneladas diante de uma expectativa de 11 milhões iniciais. Aos preços atuais de R$ 51,50/saco no balcão, isso resulta em um rendimento bruto total de R$ 3,8 bilhões.
Caso a safra tivesse sido cheia, pela tendência, o preço médio de balcão teria estacionado ao redor de R$ 41,00/saco. Ou seja, um total bruto de R$ 7,5 bilhões. Assim, as perdas brutas no Estado chegam a R$ 3,7 bilhões, considerando uma perda física de 60% e um aumento no preço de 25,6%
Ainda o preço da soja (II)
Como metodologia de cálculo, dentre outros aspectos, consideramos a média de Chicago em dezembro/11, que prevalecia como tendência em caso de safra cheia na América do Sul; prêmio médio em Rio Grande para abril/maio em safra normal; o mesmo câmbio de hoje – o governo iria igual realizar o movimento de proteção ao Real -, e ainda, algo menos provável, o mesmo percentual médio de descontos – custos e margens - aplicados pelas empresas compradoras na atualidade, ao redor de 13,5%.
Portanto, apesar do aumento nos preços, a quebra física está longe de ser compensada. Apenas o prejuízo foi um pouco aliviado pelo aumento dos preços. Além disso, outros aspectos merecem atenção: 1) no cenário de Chicago nos atuais níveis e câmbio ao sabor apenas do mercado – calcula-se um Real a R$ 1,40 nesse momento, sem a intervenção do governo – as perdas brutas subiriam a R$ 4,6 bilhões no Estado; 2) no cenário de Chicago nos atuais níveis e o câmbio na média de dezembro/11 (R$ 1,83), as perdas totais somariam os mesmos R$ 3,7 bilhões; 3) no pior dos cenários, com Chicago na média de dezembro/11 e o câmbio a R$ 1,40 (sem a ação do governo), as perdas totais chegariam a R$ 5,2 bilhões; 4) enfim, os R$ 51,50/saco de hoje não encontram comparação com o valor médio obtido em maio/04 (R$ 49,72/saco) em termos de poder de compra.
Considerando o IPCA do período, para a soja de hoje ter o valor real de oito anos atrás, o saco do produto teria que estar agora em R$ 75,00.