AS FLORESTAS PLANTADAS E SUAS PRINCIPAIS PRAGAS NO BRASIL


Agronegócio

AS FLORESTAS PLANTADAS E SUAS PRINCIPAIS PRAGAS NO BRASIL

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Com a abertura econômica e a globalização, houve um aumento substancial na movimentação de mercadorias tanto para exportação quanto importação, inclusive de produtos de origem vegetal. Houve incremento também do turismo internacional e esta associação de fatores, aliada à extensão de nossas fronteiras internacionais, propiciaram um aumento do risco de introdução de pragas exóticas. Estes riscos são potencializados quando referem-se às pragas florestais.

As pragas florestais, além de serem veiculadas em materiais de propagação (sementes, mudas, estacas, etc.), em madeiras em toras e serradas, são transportadas, principalmente, em madeiras de embalagem e suporte de mercadorias, usadas na acomodação de cargas em diferentes meios de transporte. Estas madeiras normalmente são de baixa qualidade e, devido ao grande volume, são difíceis de serem inspecionadas pelos serviços quarentenários .

A existência de extensas áreas contínuas de reflorestamentos no Brasil, principalmente com espécies de Pinus (2 milhões de ha) e de Eucalyptus (3,2 milhões de ha), normalmente com uma base restrita de espécies e procedências, oferecem condições propícias para a adaptação de pragas nativas e para o estabelecimento e dispersão de pragas exóticas. Desta forma essas pragas vêm causando problemas fitossanitários de grande importância

PRAGAS DO EUCALIPTO

As áreas reflorestadas com o gênero Eucalyptus estão entre as mais importantes no Brasil, com cerca de 3,2 milhões de ha, plantados com diferentes espécies, adaptadas às mais variadas condições edafoclimáticas (clima e solo) de Norte a Sul do país.

As condições edafoclimáticas existentes no país são bastante favoráveis à dispersão das pragas exóticas de eucalipto originárias principalmente da Australásia, favorecendo a rápida dispersão.

No Brasil, as pragas introduzidas de maior importância foram os gorgulhos Gonipterus gibberus e G. scutellatus (Coleptera: Curculionidae), besouros que se alimentam das folhas de eucalipto. Porém, felizmente, ocorreu também a introdução de uma pequena vespinha, parasitóide de ovos, que controla eficientemente a praga.

Outro insetos importantes introduzidos no país foram as brocas Phoracantha semipunctata e P. recurva, na década de 1950 e em 2001, respectivamente. Essas brocas, apesar de não atacarem árvores sadias, causam danos em árvores estressadas ou em toras recém cortadas, podendo prejudicar o comércio de madeira.

Espécies introduzidas de psilídeos, um grupo de insetos sugadores, parecidos com cigarrinhas, têm sido registrados sistematicamente em eucalipto, desde 1995, causando alguns danos associados ao estresse da planta. Foram detectadas as espécies Ctenarytaina eucaliptii , C. spatulata, Blastopsylla occidentalis e mais recentemente, em julho de 2003, Glycaspis brimblecombei. Essa espécie tem provocado danos de conseqüências econômicas e está sendo objeto de um programa de controle biológico clássico, gerido pela UNESP-Botucatu/IPEF, com apoio de outras instituições de pesquisa e empresas ligadas à eucaliptocultura.

Espécies de insetos nativos também ocorrem em Eucalyptus, destacando-se as formigas cortadeiras(Atta spp. e Acromyrmex spp.) , cerca de uma dezena de lagartas desfolhadoras, besouros fitófagos e cupins.

PRAGAS DE PÍNUS

Os plantios de Pinus spp estão concentrados em uma área de 2.2 milhões de hectares, com a finalidade de fornecer madeira para a produção de papel e celulose, madeira serrada e madeira para laminação.

A ampla variação na adaptabilidade e crescimento das espécies do gênero Pinus permite ganhos elevados em produtividade. As espécies originárias do sul dos Estados Unidos (P. taeda e P. elliottii) estão sendo muito utilizadas na região Sul do Brasil. Na região tropical do Brasil, espécies como P. oocarpa, P. caribaea caribaea, P. caribaea hondurensis, P. caribaea bahamensis têm sido plantadas com a finalidade de produzir madeira para serraria e laminação.

Os plantios de Pinus spp, no Brasil, após um período bastante longo livre de pragas, passaram a ter sua produtividade ameaçada com a introdução da vespa-da-madeira, Sirex noctilio em 1988. Os ataques da praga têm colocado em risco este extenso patrimônio florestal brasileiro. As perdas provocadas pelo ataque da vespa-da-madeira, atualmente em 350.000ha de pinus, seriam de cerca de US$6,6 milhões/ano. Entretanto, com a criação do Fundo Nacional de Controle à Vespa-da-Madeira (FUNCEMA), criado para dar sustentação às ações do Programa Nacional de Controle à Vespa-da-Madeira (PNCVM), está sendo possível conviver com a praga de modo que esta não venha a comprometer os plantios de Pinus spp do país. Este fundo é mantido pelas associações de reflorestadores da Região Sul do Brasil e tem servido de exemplo de interação entre os setores público e privado, face os resultados alcançados no controle da praga.

Na década de 90, foi registrada a presença de espécies exóticas de pulgões do gênero Cinara ( C. atlantica, C. pinivora ), Eulachnus rileyi e Essigella californica atacando plantios de Pinus spp.

A introdução especialmente de Cinara spp. está causando perdas econômicas significativas aos plantios florestais, principalmente nos dois primeiros anos de plantio, exigindo-se a elaboração de programas de controle destas pragas, aumentando-se substancialmente os custos de produção. Desta forma estabeleceu-se um programa de controle biológico, com a coleta de inimigos naturais no local de origem da praga (América do Norte), desde 2002. As coletas foram realizadas pela Embrapa Florestas em parceria com a EPAGRI. Pesquisas indicam que esta praga deverá estar sob controle dentro de três anos.

Além da introdução de pragas das região de origem, espécies nativas adaptaram-se ao pínus, como por exemplo as formigas cortadeirtas dos gêneros Atta spp. e Acromyrmex, e três espécies de lagartas desfolhadoras, cujos surtos ocorreram somente na década de 1980, causando pequenos prejuízos.


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