Agronegócio

Balança comercial: o que está por trás dos números

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Um superávit na balança comercial é sempre bem-vindo na lógica de melhorar as contas externas de um país. Afinal, a balança comercial é uma conta que compõe a conta maior chamada de balança de transações correntes. O Brasil, nos últimos anos vinha acusando déficits importantes nesta última: US$ 54,2 bilhões em 2012; US$ 81,1 bilhões em 2013 e US$ 91,3 bilhões em 2014. Em 2015 o quadro se inverteu e o déficit recuou para US$ 58,9 bilhões, devendo melhorar um pouco mais ainda em 2016. Em parte, tal comportamento foi auxiliado pela recuperação do comércio exterior. O mesmo saiu de um déficit de US$ 4,05 bilhões em 2014 para um superávit de US$ 19,68 bilhões em 2015. Agora, em 2016, o saldo deverá ser ainda melhor. Os primeiros seis meses do ano registram um superávit de US$ 23,64 bilhões, contra apenas US$ 2,23 bilhões no mesmo período do ano passado. Na comparação anualizada (jul/15 a jun/16 ante jul/14 a jun/15) o avanço é ainda mais expressivo, pois o saldo destes últimos 12 meses chega a US$ 41,09 bilhões, contra apenas US$ 690 milhões no ano anterior. Todavia, ao abrirmos os números a euforia pelo resultado absoluto é substituída pela preocupação. Em primeiro lugar, porque o resultado atual é consequência de uma fortíssima redução nas importações e não pela recuperação das exportações. Assim, no primeiro semestre deste ano, em relação ao primeiro do ano passado, nossas importações diminuíram 28,9%. Já as exportações recuaram 5,9%. Em 12 meses, as compras externas caíram 29,6% enquanto as vendas para o exterior recuaram 10,1%. Ou seja, o saldo positivo se deve ao fato de que, devido a recessão econômica nacional e a forte desvalorização do Real no período, as importações despencaram. Além disso, nota-se que mesmo com a perda de valor da moeda nacional, a qual atingiu picos históricos na era do Real, tanto em setembro/15 quanto em janeiro/16, nossas exportações não decolam. Pelo contrário, vendemos, em valor, menos do que o período anterior. Parte deste comportamento se explica pela forte redução nos preços internacionais das principais commodities que exportamos. Mas há outra explicação, bem mais séria: não adianta só desvalorizar a moeda nacional. O que nos falta, e de muito tempo, agravado nos últimos anos pela gestão pública temerária que tivemos, é competitividade. Nossos produtos sofrem pela baixa competitividade tanto de nossa mão de obra quanto de nossos bens de capitais (máquinas e tecnologia em geral), salvo honrosas exceções. E para aumentar a competitividade não basta apenas o ajuste fiscal e a recuperação do tripé de sustentação da estabilidade econômica. Será preciso reformas estruturais profundas em todas as áreas e, sobretudo, a recuperação da qualidade do ensino em todos os níveis. E tais correções não se fazem rapidamente. Temos, pelo menos, uma geração de trabalho pela frente, desde que comecemos logo e façamos corretamente esse dever de casa que, nos últimos anos, foi irresponsavelmente ignorado.
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