A pecuária de ciclo curto como o confinamento, semiconfinamento, RIP e TIP são os sistemas adotados
Guilherme Augusto Vieira[1]
Na sequência deste artigo, detalharemos os outros sistemas de produção intensiva aplicados à bovinocultura de corte.
Atualmente, a pecuária de corte começou a adotar a RIP (Recria Intensiva a Pasto) e a TIP (Terminação Intensiva a Pasto).
Aplicada na fase pós-desmama (geralmente dos 7-8 meses de idade, com 180-210 kg de peso vivo) até o período que antecede a terminação aproximadamente 350 kg de peso corporal (variável por mercado e região) (Resende & Siqueira,2011). A RIP é uma resposta direta à alta demanda por animais de qualidade para engorda e reprodução.
A RIP foi desenvolvida precisamente para quebrar este ciclo, encurtando o tempo de permanência no campo e acelerando a produção.
A Terminação Intensiva a Pasto (TIP) é uma estratégia de engorda que adapta os princípios e técnicas de produção do confinamento tradicional para o ambiente de pastagem. Essencialmente, é um processo de terminação animal realizado no pasto, mas com uma intervenção nutricional intensiva.
Neste sistema, o foco está em fornecer aos animais rações concentradas balanceadas que atendam às suas altas exigências nutricionais. O pasto, por sua vez, atua como a principal fonte de fibra, essencial para a manutenção da saúde e do bom funcionamento ruminal. A TIP exige, portanto, a utilização de piquetes com alta taxa de lotação, um manejo sanitário rigoroso, o uso de rações de alta qualidade e animais com boa genética.
Os conceitos abordados focam na produção intensiva e na aceleração do ciclo de engorda bovina, fundamentando-se no manejo estratégico de pastagens e no uso preciso de rações. Pode-se afirmar que a Recria Intensiva a Pasto (RIP) e a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) são evoluções diretas do semiconfinamento, diferenciando-se pela adoção de altas taxas de lotação e por um fornecimento mais elevado de concentrado em relação ao peso vivo do animal.
A integração da soja ou milho com a B. ruziziensis[1] tem sido amplamente utilizada para intensificar a produção a pasto. Esse sistema permite que, imediatamente após a colheita do grão, a forrageira esteja disponível para a entrada dos animais.
No planejamento dos piquetes, o produtor deve considerar aspectos essenciais do manejo pecuário, tais como: índices zootécnicos, ganho de peso diário (GMD) e as categorias animais. Além disso, é crucial formular dietas específicas para cada fase, dimensionar corretamente a área e prever a instalação estratégica de bebedouros e cochos.
O confinamento, segundo Gusmão & Vieira (2012), é o sistema de produção intensiva de bovinos em que lotes de animais são encerrados em piquetes ou currais com área restrita, e onde os alimentos e água são fornecidos em cochos.
O “curral” de confinamento tem características próprias como área/animal, construções e equipamentos para o confinamento visando a boa produtividade do sistema.
Além das instalações, o confinamento exige equipamentos (para produzir e distribuir rações e volumosos) e pessoal bem capacitado. Tanto para o confinamento quanto para a pecuária de ciclo curto deve-se colocar animais com potencial de ganho de peso além de conhecimento de mercado.
A vantagem do confinamento em relação a produção intensiva a pasto é a maior produção de animais por área, aumento do giro do capital da propriedade, embora necessite de maiores investimentos em instalações e equipamentos.
Quais as vantagens de se adotar a produção intensiva a pasto ou confinamento em fazendas produtoras de grãos?
- A primeira delas é a disponibilidade dos grãos (principalmente o milho) para a produção de rações e silagens, já que a nutrição corresponde entre 70 -85% do custo de produção;
- Otimização do uso de maquinários presentes na propriedade, no qual poderão ser utilizados fora do período produtivo agrícola;
- No caso do confinamento serão utilizadas áreas de menor tamanho (cerca de 2.000m2 por curral de 100 animais), não comprometendo as áreas de produção de grãos;
- Para a produção intensiva a pasto serão utilizadas pastagens advindas da consorciação entre milho/soja x forrageiras gerando todos os benefícios enumerados anteriormente;
- Atividade produtiva fora do período agrícola, pois o confinamento é realizado no período seco e a maioria dos produção intensiva a pastos são realizados no final do período chuvoso e início do período seco;
- Utilização dos resíduos orgânicos (esterco) para usos agronômicos. Ao visitar várias fazendas de grãos, os produtores relataram que o interesse no confinamento é o esterco, pois gera economia no uso de fertilizantes além da recomposição da matéria orgânica e melhoria da qualidade do solo.
Ao concluir este artigo, respondo à pergunta de partida com a resposta de um produtor supersatisfeito com o confinamento: “além de gerar renda para a fazenda com a comercialização dos animais, os benefícios para o solo são enormes, além de aproveitar bem o esterco”.
O leitor também conheceu os sistemas de produção de pecuária intensiva como o semiconfinamento, a RIP, a TIP e o confinamento.
Penso que a entrada dos empresários agrícolas na produção pecuária de corte vem agregar em todos os sentidos, pois estes empresários chegam com mentalidade de produção em escala, além de movimentar o mercado como um todo.
Entretanto, vale lembrar que produção intensiva de pecuária de corte exige conhecimentos técnicos mais apurados, investimentos em equipamentos e instalações, além de conhecimento da lógica do mercado de pecuária de corte.
Até a próxima oportunidade.
[1] Esta forrageira pode ser plantada no plantio direto e apresenta maior facilidade de ser dessecada com herbicidas, evitando a competição com a cultura principal
[1] Médico Veterinário, , Doutor em História das Ciências, autor dos Manuais Semiconfinamento e Confinamento, atualmente é gestor da Plataforma www.semiconfinamento.com.br e ministra cursos e treinamentos na VeteAgroGestão. Conteudista do Giro do Boi Canal Rural Agrolink, O Presente Rural, Agroin Rural Contatos com o autor: Instagram @farmacianafazenda [email protected]