Todo mundo repete a mesma frase: "o agro precisa se comunicar melhor". Isso aparece em evento, em painel, em reunião, em conversa de bastidor. Virou consenso. Ninguém discorda.
O problema começa quando a gente olha o que acontece na prática. Comunicação ainda é tratada como secundário, ou até menos. Entra depois, executa o que já foi decidido e, quando precisa cortar custo, costuma ser uma das primeiras áreas a sair da mesa, sendo considerada supérflua. Ao mesmo tempo, se fala em reputação, em percepção, em imagem do setor. Essa conta não fecha.
Basta olhar para os espaços onde o agro discute o próprio futuro. Tem especialista técnico, tem analista de mercado, tem gente falando de produção, de preço, de cenário. Mas quantas vezes a comunicação está ali como parte central da conversa? Na maioria das vezes não está.
Mas das poucas vezes que comunicação vira discussão em eventos, o que menos se vê é profissional de comunicação no palco. Entra gente de outras áreas sem vivência direta na construção de narrativa, posicionamento ou relação com imprensa para falar do tema. Enquanto isso, quem trabalha com comunicação no dia a dia, quem lida com crise, com pauta, com reputação, fica fora dessa conversa.
E aí o setor segue tentando resolver um problema sem colocar na mesa quem trabalha diretamente com ele. Ao mesmo tempo, se investe pesado para ouvir mais do mesmo. Em eventos, se chamam e se paga caro para especialistas que reforçam leitura de mercado, que repetem diagnóstico, que até trazem conteúdo relevante dentro da sua área, mas que não resolvem um ponto básico: como isso chega, como isso é percebido, como isso circula.
Comunicação não entra como prioridade. Entra como complemento. E aí surge a pergunta que incomoda: como o agro quer se comunicar melhor se não coloca comunicação no centro das decisões?
Discurso que precisamos melhorar comunicação do agro se ouve aos montes, mas falta espaço real. Comunicação não funciona quando é chamada só para “divulgar”. Ela precisa participar antes, durante e depois. Precisa estar onde o posicionamento é definido, onde a mensagem é construída, onde o caminho é escolhido.
Sem isso, o resultado tende a ser o mesmo. Muito conteúdo, pouca clareza. Muito esforço, pouca direção. Muito barulho, pouco impacto. Enquanto a comunicação seguir sendo tratada como execução, o agro vai continuar falando mais… e sendo menos entendido.
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