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Os três pilares do Agro Brasileiro


Alexander Silva de Resende

Entre 2003 e 2026, a população brasileira saltou de 177 milhões para cerca de 214 milhões de habitantes — um crescimento de 21%. Mas e a produção do nosso agronegócio no mesmo período? Simplesmente explodiu.

Na produção de grãos, saímos de aproximadamente 123 milhões para mais de 350 milhões de toneladas, combinando expansão da área cultivada com ganhos expressivos de produtividade. Na cana-de-açúcar, a colheita passou de 396 milhões para mais de 760 milhões de toneladas.

Os números do setor animal acompanharam esse ritmo: na pecuária leiteira, saímos de cerca de 22 bilhões para aproximadamente 36 bilhões de litros por ano. Na avicultura, a produção de ovos saltou de 2,6 bilhões para quase 5 bilhões de dúzias.

Poderia listar dezenas de outros exemplos, mas essa trajetória traz um detalhe fundamental: o agro brasileiro não cresceu apenas pelo esforço individual dos produtores da porta para dentro. Ele se sustentou em três grandes pilares: pesquisa pública, crédito rural e abertura de mercados.

No pilar da pesquisa, o orçamento da Embrapa viveu altos e baixos — com um pico em 2014, um forte aperto entre 2017 e 2022 e uma recuperação nos anos seguintes. Ainda assim, os recursos permanecem aquém do ideal para garantir a expansão continuada que o país exige.

No crédito rural, o salto foi gigantesco. Na safra 2003/2004, o governo federal anunciou recursos equivalentes a R$ 115 bilhões (em valores atualizados). Já para a safra 2026/2027, o volume anunciado para as agriculturas empresarial e familiar ultrapassou R$ 610 bilhões — mais de cinco vezes o valor do início do século.

No terceiro pilar, a abertura de mercados, os números impressionam: de 2023 a outubro de 2026, o Brasil contabilizou mais de 700 novas aberturas comerciais para produtos agropecuários. São oportunidades construídas com diplomacia, negociações sanitárias exigentes e um trabalho conjunto e afinado com o setor privado.

Não se pode negar a aposta e o investimento do Estado no agronegócio, tratando o setor como o verdadeiro motor do desenvolvimento nacional. Reconhecer esse papel não significa ignorar erros de governos, tampouco atribuir a eles todo o mérito pelo sucesso. Significa admitir que o progresso real resulta da soma entre trabalho árduo, conhecimento técnico, investimento contínuo e políticas públicas capazes de gerar oportunidades.

Em 23 anos, o agro brasileiro se transformou radicalmente. Produtores, pesquisadores, governos e mercados desempenharam papéis cruciais nessa construção. Com divergências, erros e acertos, ergueram um gigante mundial.

Que a nossa capacidade de construir continue sendo sempre maior do que a de dividir.

Um forte abraço!

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